Negociadores perdem esperança de acordo na Rodada Doha em 2007

sexta-feira, 26 de outubro de 2007 18:01 BRST
 

Por Jonathan Lynn

GENEBRA (Reuters) - Após dois meses de intensas negociações e poucos resultados concretos, um acordo básico a respeito da Rodada Doha de liberalização do comércio global é cada vez mais improvável neste ano, disseram diplomatas na sexta-feira.

Apesar de uma série de reuniões, consultas e conversas em grandes e pequenos grupos desde o começo de setembro em Genebra, onde fica a sede da Organização Mundial do Comércio, as divergências continuam.

Os Estados Unidos dizem que os maiores países em desenvolvimento não estão dispostos a cortar suficientemente as tarifas para a importação de produtos industriais, e que outros países ricos, como Japão e Suíça, continuam restringindo a importação de alimentos para proteger seus setores rurais.

Os grandes países em desenvolvimento, como Brasil, Índia e África do Sul, dizem que abrir seus mercados, como quer Washington, representaria a ruína dos seus setores industriais, e que os EUA deveriam reduzir drasticamente seus subsídios agrícolas.

Recentemente, muitos negociadores acenaram com a hipótese de um acordo até dezembro, mas as recentes exigências, críticas e contrapropostas tornam tal idéia irreal.

"Se quisermos um acordo, precisamos permitir que o processo continue para vermos aonde ele nos leva. Se não for em dezembro, será em fevereiro ou março, ou quando for", disse à Reuters um embaixador de um grande país em desenvolvimento.

As últimas oito semanas em Genebra levaram a algumas soluções em questões técnicas, como a contabilidade das exportações agrícolas, mas diplomatas dizem que o maior avanço foi que os participantes mostraram suas posições com maior clareza.

O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, diz que um bom acordo agora é factível, mas que o tempo é escasso. "Não é mais um posto de controle nas negociações. É provavelmente nossa última chance de levar esta rodada a uma conclusão bem-sucedida", afirmou ele no sábado em Washington.

Ninguém deseja o fracasso da Rodada Doha, mas também ninguém está desesperado por um acordo, segundo diplomatas.

Até mesmo o Brasil, que pode se tornar uma superpotência agrícola caso os países ricos abram seus mercados nesse setor, está dividido. Seus industriais já estão sendo afetados pela valorização de 100 por cento do real frente ao dólar nos últimos cinco anos, e agora temem a maior competição estrangeira caso o mercado de bens manufaturados seja aberto -- a contrapartida natural à abertura dos mercados agrícolas nos países ricos.