Coalizão governista do Paquistão inicia vida pós-Musharraf

terça-feira, 19 de agosto de 2008 12:06 BRT
 

Por Kamran Haider

ISLAMABAD (Reuters) - Os líderes da coalizão governista do Paquistão viviam um impasse em torno do Judiciário na terça-feira, um dia depois da renúncia do presidente Pervez Musharraf e em meio a um atentado que matou 25 pessoas deixando claros os problemas enfrentados pelo país.

Musharraf, ex-chefe do Exército e importante aliado dos Estados Unidos na campanha contra o terrorismo, renunciou à Presidência na segunda-feira para evitar um impeachment.

Os líderes da coalizão se reuniram por várias horas para discutir o nome do substituto de Musharraf além de questões econômicas e de segurança, mas as negociações chegaram a um impasse quando se chegou ao tema do destino dos juízes que Musharraf expurgou no ano passado.

As especulações sobre a renúncia dele tornaram-se mais frequentes desde que a coalizão governista, liderada pelo partido da ex-primeira-ministra assassinada Benazir Bhutto, disse neste mês que pretendia tirá-lo do cargo devido a supostas violações da Constituição.

Os dois principais partidos da coalizão eram duros rivais na década de 1990 quando Bhutto e Nawaz Sharif, que lidera a outra legenda da coalizão, se alternavam no cargo de primeiro-ministro. Analistas dizem que a oppsição a Musharraf uniu os dois grupos e que sua renúncia pode voltar a separá-los.

Sharif tem insistido para que os juízes voltem aos cargos, mas o partido que lidera a coalizão, o da ex-premiê assassinada Bhutto, tem hesitado.

Os líderes dos quatro partidos que formam a coalizão menosprezaram o fracasso das negociações e disseram que estabeleceram o prazo de três dias para resolver a questão entre as duas maiores legendas.

"Estabelecemos o prazo de três dias para chegar a um consenso nas próximas 72 horas e desempenhar nosso papel em encontrar uma solução final", disse Fazal-ur-Rehman, líder de um pequeno partido religioso, a repórteres. Ele recusou-se a detalhar as divergências.   Continuação...