Paraguai insiste em dispor livremente de energia de Itaipu

terça-feira, 28 de outubro de 2008 15:56 BRST
 

ASSUNÇÃO, 28 de outubro (Reuters) - O Paraguai reafirmou ao Brasil, sócio na hidrelétrica de Itaipu, o pedido de receber livremente sua fatia da energia gerada para poder vendê-la a outros países, disse na terça-feira um dos negociadores paraguaios envolvidos no processo.

Paraguai e Brasil iniciaram meses atrás um complexo processo de renegociação sobre a hidrelétrica que ambos dividem no rio Paraná e que gera cerca de 90 milhões de megawatts por ano.

O coordenador do grupo paraguaio de negociação, Ricardo Canese, disse a uma rádio do Paraguai que a solicitação "sobre a livre disponibilidade de energia é o ponto mais difícil" das conversações, mas que seu país o defenderá com firmeza.

Comissões técnicas do Brasil e do Paraguai se reuniram até altas horas da noite na segunda-feira para tratar das demandas paraguaias, entre as quais uma elevação do preço da energia vendida aos brasileiros e a revisão da dívida sobre a construção de Itaipu, uma das maiores hidrelétricas do mundo.

O tratado de criação da usina determina que cada país é dono de metade da energia gerada e que deve vender o excedente a seu sócio, a um preço estabelecido por um acordo vigente até 2023. O Paraguai deseja rever esse preço porque o valor estaria abaixo da média do mercado.

"Sem dúvida, no tema da livre disponibilidade de nossa energia, algo que diz respeito a nossa soberania e que é um tema fundamental, há um ponto de divergência", afirmou Canese.

"Essa é a questão mais complicada e ficou decidido que o Paraguai apresentará uma proposta completa, abarcando ainda o aspecto jurídico e a solução que estamos sugerindo," acrescentou.

O funcionário observou que a reunião, realizada na própria Itaipu (localizada 350 quilômetros a leste de Assunção), transcorreu dentro de um clima de "muita compreensão na postura da contraparte", mas que houve "momentos muito tensos" porque o Paraguai mostrou-se firme na defesa de seus interesses.

A delegação brasileira foi comandada pelo secretário-executivo do ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, e a paraguaia pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Jorge Lara Castro, .   Continuação...