PSDB diz não ser privatista e ataca 3o mandato em novo programa

quarta-feira, 21 de novembro de 2007 15:15 BRST
 

Por Carmen Munari

SÃO PAULO (Reuters) - O PSDB aprova na quinta e sexta-feira um novo programa e uma nova direção partidária em encontro da legenda em Brasília. Rumo à eleição de 2010, o programa defende o voto distrital, diz que o partido não é "privatista nem estatista" e afirma que vai lutar contra um suposto terceiro mandato para o presidente Lula.

O texto, que passará pelo crivo de 500 delegados entre os cerca de 1,2 mil convencionais do partido que estarão no congresso e na convenção, aponta ainda para o maior desafio do partido: aproximar o PSDB das bases e da população.

Na renovação da Executiva, o senador Tasso Jereissati (CE) dará lugar ao também senador Sérgio Guerra (PE).

"A recente sucessão de escândalos levou à desmoralização da política no Brasil. Ambições futuras podem vir a golpear a democracia, como ocorre em países vizinhos onde o continuísmo de pseudo-salvadores da pátria desvirtua as regras da verdadeira representação e participação popular. Estaremos atentos para não deixar que isso aconteça", critica o partido, ao mencionar de forma indireta o terceiro mandato.

Defendido com ênfase nos últimos anos pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), responsável pela coordenação do texto final do programa, o voto distrital (em que cada distrito elege um representante) é a principal proposta política do partido. São citadas as opções do voto distrital puro e misto (distrital e proporcional).

"Qualquer dessas alternativas é preferível ao sistema proporcional vigente, porque ancora a representação política num local determinado. Desse modo, encurta a distância entre representantes e representado. E leva os partidos a se enraizarem por todo o país", diz o texto, que é resultado de onze seminários internos realizados em várias cidades do país.

Dilema mal resolvido na campanha presidencial de 2006, em que o candidato tucano Geraldo Alckmin foi apresentado por Lula como potencial realizador de privatizações, o PSDB agora afirma que não é privatista. Prefere se apresentar como um partido "nacionalista e moderno".

Justifica, no entanto, as privatizações realizadas por FHC. "Sem aporte de capitais e métodos de gestão privados seria impossível expandir as indústrias petroquímica, aeronáutica, siderúrgica, a mineração e os serviços de telefonia e energia."   Continuação...