November 21, 2007 / 5:16 PM / 10 years ago

PSDB diz não ser privatista e ataca 3o mandato em novo programa

6 Min, DE LEITURA

Por Carmen Munari

SÃO PAULO (Reuters) - O PSDB aprova na quinta e sexta-feira um novo programa e uma nova direção partidária em encontro da legenda em Brasília. Rumo à eleição de 2010, o programa defende o voto distrital, diz que o partido não é "privatista nem estatista" e afirma que vai lutar contra um suposto terceiro mandato para o presidente Lula.

O texto, que passará pelo crivo de 500 delegados entre os cerca de 1,2 mil convencionais do partido que estarão no congresso e na convenção, aponta ainda para o maior desafio do partido: aproximar o PSDB das bases e da população.

Na renovação da Executiva, o senador Tasso Jereissati (CE) dará lugar ao também senador Sérgio Guerra (PE).

"A recente sucessão de escândalos levou à desmoralização da política no Brasil. Ambições futuras podem vir a golpear a democracia, como ocorre em países vizinhos onde o continuísmo de pseudo-salvadores da pátria desvirtua as regras da verdadeira representação e participação popular. Estaremos atentos para não deixar que isso aconteça", critica o partido, ao mencionar de forma indireta o terceiro mandato.

Defendido com ênfase nos últimos anos pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), responsável pela coordenação do texto final do programa, o voto distrital (em que cada distrito elege um representante) é a principal proposta política do partido. São citadas as opções do voto distrital puro e misto (distrital e proporcional).

"Qualquer dessas alternativas é preferível ao sistema proporcional vigente, porque ancora a representação política num local determinado. Desse modo, encurta a distância entre representantes e representado. E leva os partidos a se enraizarem por todo o país", diz o texto, que é resultado de onze seminários internos realizados em várias cidades do país.

Dilema mal resolvido na campanha presidencial de 2006, em que o candidato tucano Geraldo Alckmin foi apresentado por Lula como potencial realizador de privatizações, o PSDB agora afirma que não é privatista. Prefere se apresentar como um partido "nacionalista e moderno".

Justifica, no entanto, as privatizações realizadas por FHC. "Sem aporte de capitais e métodos de gestão privados seria impossível expandir as indústrias petroquímica, aeronáutica, siderúrgica, a mineração e os serviços de telefonia e energia."

E quando faz a trajetória do governo FHC, o Plano Real é apresentado como o ponto alto. "O Plano Real marcou o ponto de inflexão da degringolada econômica e política que ameaçava levar de roldão a democracia recém-conquistada... Foi preciso enfrentar o ceticismo, o fatalismo, o atraso, os esforços permanentes dos que buscavam desqualificar aquilo que foi, sim, uma verdadeira revolução: golpear a cultura da inflação."

Também menciona a continuidade das diretrizes pelos "nossos adversários" (o PT) que "esqueceram as injúrias e bravatas do passado e mantiveram em linhas gerais nossas políticas de combate à pobreza e controle da inflação, embora com viés paternalista nas primeiras e erros típicos de aprendiz de feiticeiro nas segundas."

Na proposta, os tucanos não se furtam a uma autocrítica de seu distanciamento da sociedade. "Devemos reconhecer que a interlocução do PSDB com a sociedade ficou aquém do que propunham nossos fundadores e do que se mostra necessário", diz o programa.

Cita temas que pouco repercutem dentro do partido como gênero, raça, drogas, violência e direitos das minorias, manifestações culturais e sugere apenas uma aproximação por meio dos diretórios do partido e de discussões pela Internet.

O programa não responde à principal crítica a que o partido vem sendo submetido: a centralização de suas decisões. Exemplo dessa tendência foi a escolha em 2006 do candidato da legenda à Presidência, demorada e decidida pela cúpula em um restaurante sofisticado de São Paulo. O caso levou o governador de Minas Gerais, Aécio Neves a afirmar que o próximo nome deveria ser escolhido em um restaurante de bandejão.

"A participação das bases vai se dar de forma crescente e não por decreto", disse à Reuters o líder do partido na Câmara, deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP), que admite a necessidade de as bases pressionarem, independentemente do "timing" da direção.

Eleições primárias para embasar as decisões, já sugeridas internamente, ainda não foram testadas e não constam do programa. Como resultado, o partido demonstra falta de unidade, como na discussão com o governo sobre a CPMF. Enquanto os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves, potenciais candidatos à sucessão de Lula, defendem a medida, os parlamentares da legenda têm posição contrária, que acabou vencedora até agora.

Edição de Mair Pena Neto

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