4 de Janeiro de 2008 / às 11:11 / 10 anos atrás

Fracassa ato da oposição no Quênia; EUA mandam enviado ao país

Por Nicolo Gnecchi e Andrew Cawthorne

NAIRÓBI (Reuters) - Uma manifestação programada pela oposição no Quênia dava sinais de fracasso, dando um respiro ao país depois da turbulência política que matou mais de 300 pessoas devido a acusações de fraude nas eleições.

“Estamos cansados, não vamos fazer passeata”, disse Samuel Muhati, morador da favela de Mathare, onde milhares de manifestantes enfrentaram a polícia na quinta-feira. “Chega de luta.”

O secretário-assistente de Estado dos EUA, Jendayi Frazer, tem a chegada a Nairóbi prevista para a noite de sexta-feira, para se reunir com o presidente Mwai Kibaki e o líder da oposição, Raila Odinga, autor das denúncias de fraude no pleito de 27 de dezembro.

A polícia patrulhava o parque Uhuru (liberdade), para onde o ato estava programado, desde as primeiras horas de sexta-feira. Embora o protesto estivesse marcado para as 10h (5h pelo horário de Brasília), os líderes da oposição não tinham chegado a seu ponto de encontro até aquele momento, e nas favelas as pessoas permaneciam em suas casas.

Na quinta-feira, os manifestantes lutaram durante horas para chegar até o parque, mas foram contidos pela polícia, que usou gás lacrimogêneo, mangueiras de água e tiros de advertência.

Seis pessoas morreram, a maioria em assassinatos tribais nas favelas. A onda de violência com motivos étnicos e quebra-quebras na maior economia da África chocou o mundo e pôs em risco a reputação do Quênia de ser uma das democracias mais promissoras do turbulento continente. Os confrontos foram entre policiais e manifestantes e entre os luos, grupo de Odinga, e os quicuios, de Kibaki.

Mais de 100 mil pessoas tiveram de abandonar suas casas, e cerca de 5.000 fugiram para Uganda.

O sentimento de cansaço era generalizado, e crescia a pressão para algum tipo de divisão do poder. Mas nem Kibaki nem Odinga pareciam dispostos a adotar tal solução. Kibaki diz que foi reeleito de forma legítima.

Mas ainda havia sinais de que a violência continuaria. “Eles estão preparando coquetéis molotov neste exato momento”, disse um morador de Kibera, uma das maiores favelas da África.

A bolsa e o mercado cambial reabriram na sexta-feira, depois de ser interrompidos pelos tumultos de quinta. Mas os operadores ainda estavam cautelosos, atentos à situação.

Reportagem adicional de Katie Nguyen, Daniel Wallis, Helen Nyambura-Mwaura, George Obulutsa, Njuwa Maina, Joseph Sudah, Wangui Kanina, Duncan Miriri, Bryson Hull

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