ANÁLISE-Biden pode atrair voto católico para Obama?

segunda-feira, 25 de agosto de 2008 19:11 BRT
 

Por Ed Stoddard

DALLAS (Reuters) - Será que Joe Biden, candidato a vice-presidente dos EUA pelo Partido Democrata, conseguirá trazer os católicos para o rebanho de Barack Obama? E será que sua origem operária na Pensilvânia atrairá a classe trabalhadora, que durante as primárias tendia mais para Hillary Clinton?

"Se focarmos apenas no elemento religioso, acrescentar Biden à chapa democrata foi uma manobra extremamente inteligente", disse Michael Lindsay, da Universidade Rice (Houston). Obama anunciou Biden como seu vice no sábado.

"Biden tem laços com um Estado [eleitoralmente] indeciso muito importante, a Pensilvânia, onde os católicos são o maior eleitorado cujos votos estão em disputa", disse Lindsay à Reuters.

As pesquisas mostram que os católicos brancos dos EUA estão divididos entre as candidaturas de Obama e do republicano John McCain, com ligeira vantagem para os democratas. Os católicos representam um quarto dos adultos dos EUA.

Um relatório do Centro para a Pesquisa Aplicada no Apostolado, da Universidade Georgetown (Washington), diz que "o voto católico pode fazer uma real diferença na Flórida, em Ohio e na Louisiana". Cerca de 40 por cento dos católicos dos EUA vivem em Nova York, Califórnia e Texas, Estados que não devem ter disputas eleitorais acirradas.

John Kennedy foi o único católico a se tornar presidente dos EUA, em 1961. Se eleito, Biden seria o primeiro vice-presidente católico. Nancy Pelosi, presidente da Câmara e terceira na linhagem sucessória, também é católica.

Apesar da separação formal que existe entre religião e Estado nos EUA, esse é sempre um tema importante nas campanhas, e os candidatos são constantemente indagados sobre o papel da fé em seu plano de governo.

E um candidato católico que fale apaixonadamente sobre a religião, como Biden, também pode atrair o operariado hispânico.

Por ser favorável ao direito ao aborto (embora não em gestações mais avançadas), Biden deve agradar ao eleitorado católico liberal -- enquanto os católicos conservadores, contrários à prática, já estão maciçamente do lado dos republicanos.

"Há um grupo mais amplo de católicos que têm simpatias pró-vida [contra o aborto], mas que não vota exclusivamente em torno dessa questão, e nesse caso Biden pode ser um candidato atraente", disse Allen Hertzke, professor de Ciência Política da Universidade de Oklahoma. "O fato de ser contra o aborto tardio lhe dá alguns argumentos que Obama não tem".