Comissária da ONU critica prisões e violência policial no Brasil

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007 21:38 BRST
 

Por Andrei Khalip

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Louise Arbour, criticou na quarta-feira as ações policiais violentas nas favelas cariocas e a superlotação nas prisões brasileiras.

Horas antes da declaração dela, cerca de 700 policiais com apoio de helicópteros e blindados invadiram a favela da Penha, numa operação contra traficantes. Pelo menos duas pessoas ficaram feridas.

Arbour disse a jornalistas que responder à criminalidade com "violência patrocinada pelo Estado, ou seja, com medidas repressivas muito robustas, escalando para operações cada vez mais de tipo militar", é uma política muito arriscada, e que os métodos ilegais no policiamento só exacerbam a violência.

A comissária, que passou três dias no Brasil a convite do governo, disse que suas críticas se baseiam em casos documentados e examinados pela ONU e por ONGs.

Philip Alston, relator especial da ONU para execuções extrajudiciais, disse em novembro que a polícia brasileira costuma assassinar suspeitos deliberadamente e que alguns agentes participam do crime organizado.

Só nos primeiros dez meses do ano, a polícia do Rio de Janeiro matou 1.072 suspeitos, 20 por cento a mais que no mesmo período de 2006. Em junho, uma operação particularmente violenta provocou 19 mortes e foi qualificada de "massacre" por entidades de direitos humanos.

"Se um governo não pode garantir que seus agentes legais operem dentro da lei, ele não tem esperança de impor a lei para o público como um todo", disse Arbour.

O Brasil tem uma das maiores taxas mundiais de homicídios, e o Rio é uma das cidades mais violentas do mundo.   Continuação...