October 23, 2007 / 7:38 PM / 10 years ago

Benazir Bhutto recebe nova ameaça de morte no Paquistão

4 Min, DE LEITURA

Por Simon Cameron-Moore

KARACHI (Reuters) - A líder oposicionista paquistanesa Benazir Bhutto recebeu na terça-feira uma ameaça de morte de "um amigo da Al Qaeda", quatro dias depois que 139 pessoas morreram num atentado em sua volta ao país.

Ninguém foi preso pelo ataque de sexta-feira passada em Karachi, imediatamente atribuído pelas autoridades a militantes islâmicos radicados nas áreas tribais do país, redutos da Al Qaeda e do Taliban.

A polícia não sabe se havia um ou dois homens-bomba, nem se uma cabeça fotografada separada de um corpo pertencia a um dos militantes suicidas, disse à Reuters o chefe de polícia de Karachi, Azhar Farooqui.

O ministro do Interior, Aftab Khan Sherpao, disse a uma TV que todas as suspeitas apontam para as áreas tribais vizinhas ao Afeganistão. "Homens-bomba suicidas são treinados no Waziristão e em alguns outros lugares nas áreas tribais. Há três grupos no Waziristão, então as pistas vão para as áreas tribais", afirmou.

A nova ameaça de morte a Bhutto foi transmitida na terça-feira a seu advogado, o senador Farooq Naik, por um promotor público.

Escrita por alguém que se dizia "chefe dos agressores suicidas" e amigo de Osama bin Laden, da Al Qaeda e dos jihadistas paquistaneses, a carta diz que Bhutto pode ser apunhalada num ataque em seu carro ou em seu quarto, disse Naik à Reuters, acrescentando que a ameaça está sendo levada a sério, mesmo que sua autenticidade não esteja confirmada.

"Benazir Bhutto não quer que a democracia seja interrompida e ela não será contida por tais ameaças", afirmou Sherry Rehman, secretário de Informação do Partido do Povo do Paquistão, a jornalistas.

A ex-primeira-ministra, que voltara de oito anos de auto-exílio horas antes do atentado de quinta-feira, acusa membros do governo de envolvimento.

O vice-ministro da Informação, Tarif Azim Khan, revelou que o ministro-chefe da província do Punjab, Chaudhry Pervez Elahi, é uma das pessoas citadas por Bhutto. Na opinião dele, tais acusações prejudicam as chances de uma reaproximação política dela com o governo.

"Se esta tendência de implicar rivais políticos em falsas acusações continuar, que chances de reconciliação nacional haverá?", indagou Khan.

Bhutto atualmente mantém negociações para uma transição para o regime civil com o presidente Pervez Musharraf, que chegou ao poder há oito anos, num golpe militar. Os Estados Unidos supostamente encorajam nos bastidores ambos a se reconciliarem, já que eles são tidos como aliados de Washington na luta contra a Al Qaeda.

Enquanto Bhutto mantém-se muito visível, visitando vítimas no hospital e falando regularmente com a imprensa, o governo permanece quase calado, por razões desconhecidas.

Nos próximos dias a ex-primeira-ministra deve visitar Larkana, terra de sua família e onde está enterrado seu pai, Zulfikar Ali Bhutto, primeiro primeiro-ministro eleito pelo voto popular na história do país.

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