Irã alerta que mísseis podem atingir navios no Golfo Pérsico

quinta-feira, 18 de setembro de 2008 09:30 BRT
 

TEERÃ (Reuters) - Um assessor do líder supremo do Irã disse em entrevista publicada na quinta-feira por um jornal oficial que, em caso de guerra, nenhum navio estaria fora do alcance dos mísseis do país no Golfo Pérsico, importante rota do petróleo mundial.

O Irã sofre sanções e ameaças do Ocidente e de Israel por causa das suspeitas de desenvolver armas atômicas. Teerã nega a acusação e diz ter direito legítimo às atividades nucleares. O país afirma que reagiria a uma eventual agressão fechando o estreito de Ormuz, único acesso ao Golfo Pérsico, por onde passa cerca de 40 por cento do petróleo comercializado no mundo.

Os EUA, cuja Quinta Frota está sediada no Barein, dentro do golfo Pérsico, prometem manter as rotas de navegação abertas em caso de conflito.

"Num momento de guerra nenhum país pode passar na região do Golfo Pérsico sem estar no alcance dos mísseis costa-mar da Guarda Revolucionária", disse Yahya Rahim-Safavi, consultor militar do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, ao jornal Iran.

Nesta semana, Rahim-Safavi afirmou que Khamenei encarregara a Guarda Revolucionária de defender o Golfo Pérsico contra eventuais ataques, e que essa tropa de elite, guardiã ideológica do regime islâmico, não hesitaria em "confrontar forças estrangeiras".

Há persistentes especulações sobre um possível bombardeio norte-americano ou israelense contra instalações nucleares iranianas. Teerã minimiza tais rumores, mas diz que reagiria atacando interesses dos EUA e de Israel no mundo.

A Força Aérea iraniana e suas unidades de defesa antiaérea realizaram exercícios nesta semana para testar equipamentos e a prontidão das tropas, segundo a imprensa local.

A Guarda Revolucionária tem um comando à parte e unidades terrestres, aéreas e marítimas próprias. Ela atua em regiões de fronteira e na vigilância de instituições do Estado, e seu arsenal inclui os mísseis Shahab-3, supostamente capazes de atingir Israel.

(Reportagem de Zahra Hosseinian)