19 de Dezembro de 2007 / às 22:14 / 10 anos atrás

EUA mancham imagem da Rússia e rejeitam amizade, diz Putin

Por Dmitry Solovyov

MOSCOU (Reuters) - O presidente russo, Vladimir Putin, acusou os Estados Unidos de tentarem abalar a imagem da Rússia para ampliar sua dominação global e disse que Washington ignorou as tentativas de Moscou no sentido de estabelecer uma amizade.

Em entrevista à revista Time, que na quarta-feira o elegeu "Homem do Ano", Putin disse que Washington adotou a estratégia de menosprezar a Rússia a fim de tentar influenciar a política interna e externa do país.

"Acredito que esta seja uma tentativa obcecada de criar uma certa imagem da Rússia que permita (aos EUA) influenciar nossa política interna e externa", disse Putin na entrevista, divulgada pelo site oficial do Kremlin (www.kremlin.ru).

"A Rússia não só disse como repetidamente demonstrou por toda a sua política nos últimos 15 anos que queremos ser não só parceiros (dos Estados Unidos) da América, mas também amigos", afirmou.

"Mas às vezes tenho a impressão de que a América não precisa de amigos. Temos a impressão de que a América precisa de vassalos para comandar", prosseguiu, acrescentando que Washington "busca problemas dentro da Rússia o tempo todo".

"É por isso que eles dizem para nós e para todos os outros: 'Bem, vamos beliscá-los e recriminá-los um pouco, porque (os russos) não são muito civilizados, ainda são selvagens, acabaram de saltar de uma árvore. É por isso que precisamos pentear um pouquinho o cabelo deles --eles não conseguem fazer isso sozinhos--, barbeá-los e lavar a lama deles'."

Político mais popular da Rússia, Putin deixa o cargo em 2008, depois de guiar o país em uma grande fase de crescimento econômico, graças ao boom do petróleo. Mas, enquanto os investidores correm para o país, a política externa do Kremlin gera atritos com o Ocidente.

Ao qualificá-lo como "Homem do Ano", a Time disse que Putin conseguiu trazer a Rússia de volta do caos para "a mesa do poder mundial", mesmo que à custa das liberdades democráticas.

Segundo Putin, a Rússia precisa se desfazer do "grande erro" que foi a política soviética de exportar uma revolução comunista mundial. "Não queremos governar ninguém, não queremos ser uma superpotência de nenhum tipo. Mas queremos ter forças suficientes para poder nos defender, proteger nossos interesses", disse o presidente, que começou a carreira como agente da KGB (agência russa de segurança).

Putin elogiou seus antecessores, Mikhail Gorbachev e o falecido Boris Yeltsin, por terem desmontado o sistema soviético.

Convidado a explicar sua tese de que o fim da União Soviética foi "a maior catástrofe geopolítica do século", ele disse: "Não quis dizer no aspecto político da dissolução da União Soviética, e sim no aspecto humano."

Ele disse que 25 milhões de pessoas de etnia russa se tornaram estrangeiras com a independência das repúblicas que formavam o antigo país, e que muitos não têm como visitar a terra de seus ancestrais.

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