Fracassa missão da União Africana no Quênia

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008 19:32 BRST
 

Por Daniel Wallis e Wangui Kanina

NAIRÓBI (Reuters) - Uma missão da União Africana destinada a resolver a crise política no Quênia terminou em fracasso na quinta-feira, com o presidente e o líder da oposição do país acusando-se mutuamente pelo fim das negociações.

O presidente de Gana e da UA, John Kufuor, disse que ambas as partes aceitaram colaborar com uma comissão africana chefiada pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan. Mas o presidente Mwai Kibaki e seu rival Raila Odinga não se reuniram nem chegaram a uma solução para a crise.

As acusações de fraude no pleito que reelegeu Kibaki, no dia 27, provocaram protestos e confrontos étnicos que deixaram cerca de 500 mortos e 250 mil refugiados. A situação afeta a economia do Quênia, outrora um dos países mais estáveis da África, bem como o abastecimento de produtos para seus vizinhos.

Kufuor, a principal diplomata dos EUA para a África, Jendayi Frazer, e representantes da União Européia e da Grã-Bretanha encontraram Odinga na quinta-feira para pressioná-lo a um acordo com Kibaki.

O Movimento Democrático Laranja (MDL), o partido de Odinga, distribuiu uma proposta de acordo que teria sido redigida por representantes do governo e da oposição, sob mediação de Colin Bruce, diretor do Banco Mundial no país.

O texto prevê a revisão do resultado eleitoral e a realização de uma nova votação, caso seja necessário. Segundo o MDL, Kibaki recusou-se a assiná-lo.

"Isso está de acordo com seu caráter e só pode ser tratado com o desprezo que merece", disse o secretário-geral do MDL, Anyang' Nyong'o. "É um tapa na cara da missão (da UA) e da comunidade internacional."

O gabinete de Kibaki negou ter ciência do documento e, em nota, acusou o MDL de bloquear as negociações.   Continuação...