Serviços e equipamentos devem acompanhar queda do petróleo--IBP

terça-feira, 16 de setembro de 2008 17:13 BRT
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 16 de setembro (Reuters) - Os preços dos serviços e equipamentos na indústria do petróleo devem acompanhar a queda no preço da commodity, se esta se mostrar consistente, poupando os caros projetos do pré-sal de maiores problemas com viabilidade, avaliou o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), João Carlos de Luca, nesta terça-feira.

Ele estimou que se o petróleo estacionar em torno dos 70-90 dólares os projetos de petróleo de maneira geral, inclusive os do pré-sal, não correm risco de serem afetados.

"A indústria está entendendo que o preço estava muito alto, mas não acredito que volte para os níveis de 50, 60 dólares", afirmou de Luca.

A questão dos custos relacionados à exploração da camada ultraprofunda do pré-sal é uma das principais nas análises sobre o potencial futuro da região.

Apesar da grande quantidade de óleo e gás, o pré-sal, por sua localização e pelas características geológicas, envolve investimentos muito maiores que áreas tradicionais de exploração.

De Luca, que também preside a Repsol do Brasil, reconheceu, no entanto, que a baixa do petróleo ocorre em um momento em que a demanda já começa a mostrar fraqueza em algumas regiões, o que traz incerteza em relação ao novo patamar em que a commodity se acomodará.

Nesta terça-feira, os futuros do petróleo nos EUA fecharam com baixa de 4,91 dólares, ou 5,1 por cento, em 90,80 dólares o barril.

"A Europa já recuou, a China reduziu os juros para conter a queda de crescimento, isso reflete no preço", explicou o executivo, que ainda assim não vê problemas para a Petrobras e parceiras financiarem a exploração do pré-sal.

A Repsol está com a Petrobras em alguns campos do pré-sal da bacia de Santos e ainda está avaliando se vai participar da 10a rodada de petróleo, prevista para dezembro deste ano.

(Reportagem de Denise Luna; Edição de Marcelo Teixeira)