Após atentado com escavadeira, Israel vive dilema em Jerusalém

quinta-feira, 3 de julho de 2008 12:02 BRT
 

Por Jeffrey Heller

JERUSALÉM (Reuters) - Um ataque mortífero executado por um morador palestino de Jerusalém, com uma retroescavadeira, deixou Israel nesta quinta-feira imerso no dilema de como manter a segurança na cidade sem contrariar a premissa de que ela não pode ser dividida.

Israel capturou a parte árabe de Jerusalém na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e a anexou anos depois, bem como alguns vilarejos na vizinhança. Com essa ação, que não é reconhecida pela comunidade internacional, os palestinos moradores da parte oriental adquiriram documentos de identidade israelenses que lhes dão ampla liberdade de movimento.

Ao lhes conceder os mesmos documentos usados por judeus, Israel enviou o sinal de que Jerusalém Oriental --que os palestinos querem transformar em capital de um futuro Estado que abrangeria a Cisjordânia e a Faixa de Gaza-- é a "capital indivisível" do Estado judaico.

Mas o ataque de quarta-feira na movimentada Rua Jaffa, em Jerusalém, no qual três israelenses morreram, e o tiroteio de março em um seminário judaico também na parte ocidental da cidade, que deixou oito israelenses mortos, fizeram emergir essa preocupação.

Ambos os ataques foram realizados por palestinos de áreas que Israel considera parte de Jerusalém Oriental. Diferentemente dos palestinos da Cisjordânia, onde Israel construiu uma polêmica barreira, os dois podiam trabalhar e viajar em toda Jerusalém.

Depois do incidente de quarta-feira, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, propôs a demolição de casas de moradores de Jerusalém Oriental que executem ataques contra israelenses, disseram assessores do governo.

"Temos de usar uma punição que seja dissuasiva. Temos de agir com mão pesada, negar direitos sociais e destruir imediatamente as casas de todos os terroristas de Jerusalém", disse Olmert, segundo um funcionário do governo.

Mas notificações de demolição vão provavelmente resultar em ações judiciais de palestinos de Jerusalém Oriental em cortes israelenses, bem como protestos internacionais, sob o argumento de que a destruição de uma casa que o agressor dividia com outras pessoas de sua família é uma punição coletiva.   Continuação...