Presidentes do Mercosul apóiam Bolívia em reunião de cúpula

terça-feira, 18 de dezembro de 2007 15:47 BRST
 

Por Lucas Bergman

MONTEVIDÉU (Reuters) - Os presidentes dos países-membros do Mercosul deixaram suas diferenças de lado para sair em defesa do governo da Bolívia, que enfrenta uma grave crise política.

Na segunda manifestação regional de apoio recebida em uma semana pelo presidente boliviano, Evo Morales, os líderes do bloco reunidos nesta terça-feira em Montevidéu deram um sinal claro de que não pretendem ficar de braços cruzados diante das turbulências enfrentadas pelo país andino.

"Saiba que o senhor (Morales) conta, em nome de todos aqui presentes, com o respaldo dos países que integram o Mercosul", disse em um discurso o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez.

A Bolívia, um importante fornecedor de gás natural na América do Sul, atravessa uma crise política devido à aprovação de uma nova Constituição que aprofunda a nacionalização da economia do país e é rechaçada por vários Departamentos (Estados) controlados pela oposição e que ameaçam separar-se do restante do território.

"Evo, que Deus cuide de você e que Deus cuide da Bolívia. É preciso avisar o império (norte-americano): se derrubarem aquele governo legítimo, isso pode provocar um terremoto em toda a América", disse a jornalistas o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, defendendo a teoria de que os EUA alimentam a instabilidade na Bolívia.

Como o Chile, a Bolívia é membro associado do Mercosul, uma união aduaneira formada pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. A Venezuela tenta ingressar no bloco.

Na semana passada, vários presidentes de países sul-americanos tinham divulgado um comunicado de apoio ao governo boliviano, enquanto que a presidente do Chile, Michelle Bachelet, e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, viajaram no domingo para La Paz a fim de manifestar sua postura pessoalmente.

Morales, o primeiro presidente de origem indígena da história do país mais pobre da América do Sul, agradeceu o apoio dos presidentes e disse que "há intromissão estrangeira, responsável por fortalecer alguns grupos que não aceitam as mudanças."   Continuação...