Furacão Ike é "rebaixado" a categoria 2 sobre Cuba

segunda-feira, 8 de setembro de 2008 10:06 BRT
 

Por Jeff Franks

HAVANA (Reuters) - O furacão Ike perdeu força e foi rebaixado na segunda-feira à categoria 2, depois de passar sobre o nordeste de Cuba. Mas a meteorologia prevê que ele ainda pode se recuperar antes de atingir as instalações de gás e petróleo do Golfo do México e eventualmente a cidade norte-americana de Nova Orleans.

O Ike provocou chuvas fortes, ressaca e ventos de 165 quilômetros por hora em Cuba, segundo o Centro Nacional de Furacões dos EUA. Ao percorrer a ilha de 1.125 quilômetros de comprimento, o Ike pode cair ainda mais, para a categoria 1 da escala Saffir-Simpson (que vai até 5).

A TV pública cubana mostrou ondas batendo num paredão costeiro e subindo até a altura de um prédio de cinco andares em Baracoa (leste), onde as ruas ficaram inundadas.

Quando estava na perigosa categoria 3, o Ike atingiu o sul das Bahamas e provocou ainda mais mortes e prejuízos no miserável Haiti, onde as autoridades registraram 61 vítimas fatais --além das cerca de 500 mortes na semana passada pela tempestade tropical Hanna.

O Instituto Cubano de Meteorologia disse que o Ike chegou à costa perto de Punta Lucrecia, na província de Holguín, cerca de 823 quilômetros a sudeste de Havana.

"Há muita preocupação, as janelas estão começando a quebrar", disse por telefone Carmela, funcionária de um hotel na cidade de Holguín, a 50 quilômetros de Punta Lucrecia. "Há muita água, está chovendo fortíssimo."

As autoridades dizem que pelo menos 1,1 milhão de pessoas deixaram suas casas antes da passagem da tempestade. Cuba ainda se recupera da passagem do furacão Gustav na semana passada no extremo oeste da ilha.

A perspectiva de danos do Ike às 4.000 plataformas do Golfo do México, que produzem 25 por cento do petróleo e 15 por cento do gás natural dos EUA, ajudaram a cotação do petróleo a subir 1,50 dólar na segunda-feira, atingindo 107 dólares por barril.

O Ike também pode ameaçar Nova Orleans, cidade devastada em 2005 ao furacão Katrina, que causou 1.500 mortes e 80 bilhões de dólares em prejuízos na costa sul dos EUA. Na segunda-feira passada, o Gustava passou "raspando" por essa cidade histórica.

(Reportagem adicional de Joseph Guyler Delva em Poro Príncipe, Esteban Israel em Havana, Michael Haskins em Key West, John Marquis em Nassau, Tom Brown e Jim Loney em Miami e Manuel Jimenez na República Dominicana)