29 de Outubro de 2007 / às 16:18 / 10 anos atrás

Brasil aposta em grande sintonia com nova presidente argentina

Por Guido Nejamkis

BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil espera estabelecer uma forte sintonia com a presidente recém-eleita da Argentina, a primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner, compartilhando iniciativas em benefício da estabilidade da região, disse na segunda-feira o assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para política externa, Marco Aurélio Garcia.

Para ele, é certeza que o Brasil aumentará o fluxo de investimentos no país vizinho, estimulado pela rápida expansão da economia argentina.

"O Brasil espera manter um profundo entendimento com Cristina, como manteve com (o presidente) Néstor Kirchner", disse Garcia à Reuters numa entrevista por telefone. "E, conhecendo Cristina como conhecemos, é mais uma certeza", acrescentou.

Empresas brasileiras investiram 6,5 bilhões de dólares na Argentina desde 2001, o que faz do Brasil o segundo maior investidor estrangeiro no mercado argentino.

Em plena campanha eleitoral, a primeira-dama reuniu-se em Brasília com representantes das maiores empresas brasileiras presentes na Argentina em setores como energia, cimento, alimentos, construção, têxtil e financeiro, entre outros.

Na reunião, Cristina foi questionada sobre a aceleração da inflação na Argentina e a respeito das tarifas de serviços públicos, que estão congeladas.

No encontro, a agora presidente eleita prometeu um combate gradual à inflação e exaltou o modelo econômico vigente na Argentina, que chamou de "industrializador".

"O fluxo investidor vai se manter e certamente crescer", previu Garcia, que ressaltou que as "articulações de iniciativas entre Brasil e Argentina são essenciais para a estabilidade da América do Sul."

Para o professor da Universidade de Brasília e consultor Carlos Pio, "da parte do governo Lula prevalecerá a predisposição positiva na hora de tratar as demandas argentinas, sejam do setor privado ou da própria administração de Cristina."

CONVERGÊNCIA

Brasil e Argentina, os dois principais sócios do Mercosul, registraram em 2006 um comércio bilateral de quase 20 bilhões de dólares.

Mas, apesar dos interesses cada vez mais comuns, os dois países vêm adotando enfoques diferentes em questões como o tratamento dos investimentos, a interferência estatal na economia e a política em relação ao governo de Hugo Chávez, na Venezuela, que polariza o debate político regional.

O Brasil, que assim como a Argentina aumentou suas relações econômicas e comerciais com a Venezuela, vem mantendo uma boa relação com Chávez, mas as situações não são equivalentes. "A influência da Venezuela na economia brasileira é zero. Mas a Argentina depende muito de Chávez para seu financiamento", disse Pio.

"O Brasil não vai no caminho do estatismo nem da inflação. Assim como não tirará do setor privado a liberdade de estabelecer preços", acrescentou, em referência às medidas argentinas de restrição às exportações.

Dessa maneira, segundo o especialista, à medida que o futuro governo de Cristina Kirchner "avançar como o Brasil na direção de uma verdadeira economia de mercado, existe a possibilidade de convergência maior entre os dois países."

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