13 de Agosto de 2008 / às 20:43 / em 9 anos

Aécio: Lula deixará "herança perversa" de descontrole de gastos

BELO HORIZONTE (Reuters) - Candidato potencial à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), partiu para o ataque e acusou na quarta-feira o atual governo de descontrole de gastos, o que, em sua opinião, será uma “herança perversa” para o próximo presidente.

Aécio buscou inverter o mote utilizado pelo governo Lula de que precisou lidar com uma “herança maldita” na economia deixada pelos oito anos de governo tucano do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

O governador afirmou que o governo de Lula “despreza” as boas práticas de gestão e que o descontrole de gastos com a estrutura do Estado será um problema para quem assumir a presidência após as eleições de 2010.

“Lamentavelmente, um dos problemas maiores que vejo no plano federal é um absoluto desprezo à boa prática da gestão pública”, disse Aécio, em entrevista após assinatura de convênio do governo mineiro com o Banco Mundial (Bird) para empréstimo de 976 milhões de dólares.

“O governo tem mérito, o presidente Lula tem? Eu os reconheço permanentemente, mas essa minha franqueza me obriga a dizer que uma das mais perversas heranças que deverão ser assumidas pelo próximo governante é esse aumento descontrolado dos gastos públicos”, acrescentou Aécio. .

Apesar de constantes elogios mútuos, principalmente após o apoio de Lula a uma aliança do PT com o PSDB nas eleições municipais em Belo Horizonte, Aécio não poupou o governo federal de críticas.

O governador respondia a uma pergunta sobre a polêmica em torno da transformação da Secretaria da Pesca em ministério, mas não estendeu as críticas aos gastos e ao aumento da estrutura administrativa do governo.

“O governo gasta demais e gasta mal. Muitos deles (gastos públicos) são incomprimíveis no futuro, sem que isso se transforme efetivamente em melhoria da qualidade do serviço público”, afirmou.

O tucano afirmou que Minas e outros Estados devem dar exemplo de gestão para o governo federal.

“No Brasil, começa a haver um processo de introdução do conceito da boa gestão pública a partir dos estados federados. Acho que talvez nós conseguimos avançar um pouco mais até por eu já estar no segundo mandato”, disse Aécio, salientando que princípios de boa gestão pública ainda não foram incorporados pelo governo federal.

Durante o evento de assinatura do convênio, o diretor do Bird para o Brasil, John Briscoe, classificou como desafio a melhoria dos serviços públicos sem o descontrole dos gastos.

“Como Murilo Portugal falava, o brasileiro paga por um serviço de cinco estrelas, mas, geralmente, recebe serviço só de duas, três estrelas”, disse, citando o ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda. (Reportagem de Marcelo Portela)

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