Greve nos transportes pára a França e desafia Sarkozy

quinta-feira, 18 de outubro de 2007 09:24 BRST
 

Por Jon Boyle

PARIS (Reuters) - Os transportes públicos franceses praticamente pararam nesta quinta-feira devido a uma greve contra a perspectiva de alterações nas pensões do setor, no que representa o maior desafio até agora às reformas propostas pelo presidente Nicolas Sarkozy.

Os sindicatos convocaram uma greve de 24 horas, a partir da noite de quarta-feira, em uma tentativa de pressionar o governo a fazer concessões. Sarkozy pretende rever os privilégios que permitem que uma minoria de funcionários públicos se aposente antes dos demais.

A SNCF, estatal francesa do setor ferroviário, disse que só uma pequena parte dos trens sairia na quinta-feira. Ônibus e bondes também foram afetados em 27 cidades importantes.

Outro motivo do protesto é uma lei que exige desde janeiro que os trabalhadores dos transportes públicos forneçam um serviço mínimo durante greves.

"O tráfego será muito reduzido hoje, com menos de 5 por cento dos trens circulando em comparação a um dia normal", disse Guillaume Pepy, diretor-executivo da SNCF, em entrevista publicada na quinta-feira pelo jornal Le Parisien.

Estações normalmente lotadas no início da manhã ficaram praticamente desertas, exceto por alguns usuários.

"É uma loucura", disse Kwame Boakye, que tenta viajar com sua família na Gare de l'Est, em Paris, para Zurique. "Ontem me disseram que o trem sairia às 8h24. Agora simplesmente me dizem que não há trem. O que vou fazer com as crianças agora?"

As rádios disseram que há tráfego pesado nas estradas de acesso a Paris. Há intensa demanda pelas "Vel'lib", bicicletas de uso comum recentemente introduzidas pela prefeitura, e alguns franceses mais ousados são vistos ziguezagueando de patins no meio dos congestionamentos.   Continuação...