31 de Julho de 2008 / às 12:07 / em 9 anos

Reuters busca explicação para prisão de cinegrafista no Iraque

Por Dean Yates

BAGDÁ (Reuters) - A Reuters pediu na quinta-feira que os militares norte-americanos libertem imediatamente um cinegrafista iraquiano detido quando trabalhava para a agência, ou então que apresentem provas que justifiquem sua prisão.

Ali Al Mashhadani, que também presta serviços à BBC e à Rádio Pública Nacional dos EUA, foi detido no sábado na Zona Verde (bairro dos prédios públicos em Bagdá), onde estava pleiteando um credenciamento junto aos militares dos EUA.

Não é a primeira vez que Mashhadani é preso, mas ele nunca foi acusado formalmente de nada. O cinegrafista vive em Ramadi, capital da antes turbulenta província de Anbar, a oeste de Bagdá.

“Quaisquer acusações contra um jornalista deveriam ser divulgadas publicamente e tratadas de forma justa, com o jornalista tendo direito a amparo e a apresentar uma defesa”, disse o editor-chefe da Reuters, David Schlesinger.

“Os jornalistas iraquianos como Mashhadani têm um papel vital em contar esta história ao mundo”, acrescentou.

A BBC se disse preocupada com a notícia da prisão do profissional. “Pedimos aos militares dos EUA que revelem com urgência as razões pelas quais ele está sendo detido e quais as acusações que ele enfrenta, se é que existem”, disse um porta-voz da emissora britânica de rádio e TV.

Um porta-voz militar dos EUA disse que Mashhadani está preso no quartel-penitenciária de Cropper, perto do aeroporto de Bagdá.

“Ele está sendo detido porque foi avaliado como sendo uma ameaça à segurança do Iraque e das forças da coalizão”, disse o porta-voz, sem entrar em detalhes.

Esse porta-voz disse que o caso dele será analisado no começo da semana que vem. Os militares argumentam que, sob o mandato da ONU que regulamenta a presença dos soldados estrangeiros no Iraque, os militares podem prender indefinidamente qualquer um que seja considerado uma ameaça.

Mashhadani foi detido pela primeira vez em agosto de 2005, quando soldados dos EUA entraram em sua casa e viram fotos e vídeos mostrando insurgentes árabes de Anbar. Ele ficou preso até janeiro de 2006, e em meados daquele ano voltaria para a cadeia por mais duas semanas.

A vasta e desértica Anbar já foi a região mais perigosa para as tropas dos EUA no Iraque, mas hoje em dia é uma das mais seguras.

A Reuters e entidades internacionais de proteção à imprensa já haviam criticado anteriormente a recusa dos militares em tratar com mais rapidez os casos de jornalistas que despertam suspeitas devido ao seu trabalho legítimo.

A Reuters disse que continua empenhada em melhorar as comunicações com os militares dos EUA, de modo a evitar situações em que surjam dúvidas sobre a atividade de profissionais que cobrem a violência no Iraque.

ALGEMAS E CAPUZ

Dois jornalistas iraquianos que estavam no departamento militar de imprensa no momento da detenção de Mashhadani, no sábado, disseram que soldados dos EUA apareceram de repente e levaram o profissional embora.

Duas outras testemunhas disseram à Reuters que estavam em frente ao departamento de imprensa logo depois disso quando viram soldados levando um homem algemado e encapuzado.

Forças dos EUA já mantiveram outros repórteres iraquianos, alguns deles a serviço da Reuters, como prisioneiros durante longos períodos, sem no entanto atribuírem acusações formais.

Em abril, os militares dos EUA libertaram um fotógrafo vencedor do Prêmio Pulitzer que trabalhava para a Associated Press. O profissional Bilal Hussein passara dois anos preso sem ser processado, embora tenha sido acusado pelos militares de colaboração com insurgentes. A agência norte-americana AP negou repetidamente as acusações.

Neste mês, a AP informou que as autoridades decidiram manter preso por mais seis meses um cinegrafista iraquiano que havia sido detido em junho quando trabalhava para a agência.

Os militares atribuíram a decisão a “razões imperativas de segurança” e não deram detalhes sobre quaisquer acusações que pesem sobre Ahmed Nouri Raziak, segundo a AP.

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