Bolívia quer afastar EUA do combate à cocaína

terça-feira, 12 de agosto de 2008 20:48 BRT
 

Por Simon Gardner e Eduardo Garcia

LA PAZ (Reuters) - Frustrado com a maneira como os EUA gastam dinheiro no combate à produção de cocaína na Bolívia, o governo de Evo Morales decidiu assumir a tarefa, disse na terça-feira o "czar" antidrogas boliviano.

"Estamos planejando nacionalizar a guerra contra o tráfico", disse Felipe Cáceres à Reuters. "Ainda vamos dar as boas-vindas à cooperação no futuro, mas o governo boliviano vai decidir como esse dinheiro será gasto".

"É uma questão de soberania, dignidade", acrescentou Cáceres, vice-ministro de Defesa Social e Substâncias Controladas.

Assim como Morales, Cáceres é dono de uma lavoura de coca, planta que, além de ser matéria-prima da cocaína, é usada por indígenas locais para fins tradicionais, como chá ou mascada, para combater a fome e os males da altitude, por exemplo.

A Bolívia é o terceiro maior produtor mundial de cocaína, atrás de Colômbia e Peru, e só neste ano os EUA já destinaram cerca de 25 milhões de dólares ao combate às drogas. Washington também financia programas para estimular produtores de coca a substituirem a planta por outros cultivos, como banana, críticos e café.

"A política do governo dos EUA faz com que, de todo o dinheiro que deveria ser destinado para melhorar as condições dos cocaleiros, 85 por cento vá para veículos, salários. Eles vivem em hotéis com piscina; [o dinheiro] vai para o bolso deles", acusou Cáceres.

"Não estamos rejeitando a ajuda dos EUA. Mas a ajuda não está indo para os cocaleiros, que estão preparados para produzir outros produtos e deixar a folha de coca para trás. No momento, a cooperação dos EUA é autônoma. Queremos reverter essa situação".

Cáceres disse que o governo esquerdista de Morales busca outros parceiros, como a Rússia, para fornecer helicópteros e outros equipamentos.   Continuação...