China promete não punir monges que protestaram a jornalistas

sexta-feira, 28 de março de 2008 09:00 BRT
 

Por John Ruwitch

PEQUIM (Reuters) - A China prometeu na sexta-feira não punir os monges tibetanos que interferiram numa visita da imprensa a Lhasa, organizada pelo governo, e manifestaram apoio ao Dalai Lama.

Baema Chilain, vice-presidente da Região Autônoma do Tibet (o governo regional, pró-Pequim), disse também que "separatistas" planejam perturbar a passagem da tocha olímpica pelo Tibet, mas que o evento está mantido, inclusive com planos de levar a tocha ao monte Everest, segundo a agência estatal de notícias Xinhua.

Na quinta-feira, cerca de 30 monges do templo Jokhang, um dos mais sagrados do Tibet, se meteram numa entrevista coletiva e passaram cerca de 15 minutos contando aos jornalistas que o governo está mentindo sobre os recentes distúrbios na região. Eles também rejeitaram a acusação do governo de que o Dalai Lama, líder político-espiritual no exílio, estaria por trás das manifestações contra o regime comunista.

Antevendo repercussões negativas no resto do mundo, Baema Chilain disse à Xinhua que os monges que participaram desse protesto não serão punidos. "Mas o que eles disseram não é verdade. Eles estão tentando enganar a opinião mundial. Os fatos não devem ser distorcidos", afirmou.

O Dalai Lama, que vive na Índia desde 1959, nega ser o mentor dos protestos e diz defender apenas mais autonomia para sua pátria, e não a independência.

A turbulência no Tibet e em províncias vizinhas ocorre a pouco mais de quatro meses do início da Olimpíada de Pequim.

"Até onde sabemos, alguns separatistas de dentro e fora da China estão buscando sabotar o revezamento da tocha olímpica dentro do Tibet", disse Baema Chilain.

A tocha chega na segunda-feira a Pequim.   Continuação...