28 de Março de 2008 / às 11:58 / 9 anos atrás

China promete não punir monges que protestaram a jornalistas

Por John Ruwitch

PEQUIM (Reuters) - A China prometeu na sexta-feira não punir os monges tibetanos que interferiram numa visita da imprensa a Lhasa, organizada pelo governo, e manifestaram apoio ao Dalai Lama.

Baema Chilain, vice-presidente da Região Autônoma do Tibet (o governo regional, pró-Pequim), disse também que "separatistas" planejam perturbar a passagem da tocha olímpica pelo Tibet, mas que o evento está mantido, inclusive com planos de levar a tocha ao monte Everest, segundo a agência estatal de notícias Xinhua.

Na quinta-feira, cerca de 30 monges do templo Jokhang, um dos mais sagrados do Tibet, se meteram numa entrevista coletiva e passaram cerca de 15 minutos contando aos jornalistas que o governo está mentindo sobre os recentes distúrbios na região. Eles também rejeitaram a acusação do governo de que o Dalai Lama, líder político-espiritual no exílio, estaria por trás das manifestações contra o regime comunista.

Antevendo repercussões negativas no resto do mundo, Baema Chilain disse à Xinhua que os monges que participaram desse protesto não serão punidos. "Mas o que eles disseram não é verdade. Eles estão tentando enganar a opinião mundial. Os fatos não devem ser distorcidos", afirmou.

O Dalai Lama, que vive na Índia desde 1959, nega ser o mentor dos protestos e diz defender apenas mais autonomia para sua pátria, e não a independência.

A turbulência no Tibet e em províncias vizinhas ocorre a pouco mais de quatro meses do início da Olimpíada de Pequim.

"Até onde sabemos, alguns separatistas de dentro e fora da China estão buscando sabotar o revezamento da tocha olímpica dentro do Tibet", disse Baema Chilain.

A tocha chega na segunda-feira a Pequim.

"Estamos confiantes e capazes de garantir a segurança do revezamento e de levar (a tocha) até o topo do pico (do Everest, ponto mais alto do mundo)", acrescentou o vice-governador.

Em Canberra (Austrália), a polícia jogou uma manifestante no chão, no único incidente de um protesto com cerca de cem simpatizantes do Tibete em frente à embaixada chinesa, na sexta-feira. A comunidade tibetana promete protestos ainda maiores em abril, quando a tocha estiver na China.

No Nepal, onde há manifestações quase diárias nas últimas duas semanas, cerca de 12 manifestantes pularam o muro de um prédio onde há escritórios da ONU, pedindo à entidade que intervenha na crise.

Reportagem adicional de Lindsay Beck e Benjamin Kang Lim em Pequim, James Grubel em Canberra e Gopal Sharma em Kathmandu

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below