10 de Agosto de 2008 / às 20:03 / 9 anos atrás

Palestinos preparam grande funeral para poeta Darwish

Por Mohammed Assadi

RAMALLAH, Cisjordânia (Reuters) - Mahmoud Darwish, cuja poesia interpretou a causa palestina, terá um funeral de chefe de estado na Cisjordânia na terça-feira, uma honra anteriormente concedida apenas ao líder da OLP, Yasser Arafat.

Os tributos para Darwish começaram a chegar neste domingo, um dia depois da morte do poeta, aos 67 anos de idade, de complicações decorrentes de uma cirurgia cardíaca em um hospital norte-americano de Houston, Texas.

“Ele traduziu a dor dos palestinos de forma mágica. Ele nos fez chorar, nos deixou felizes e mexeu com as nossas emoções”, disse o poeta egípcio Ahmed Fouad Negm.

“Além de ser o poeta da ferida palestina, que atinge todos os árabes e pessoas honestas no mundo, ele é um grande poeta”, disse Negm à Reuters, no Cairo.

O funeral de Darwish em Ramallah será o primeiro a ser patrocinado pela Autoridade Palestina desde a morte de Arafat, em 2004.

O presidente palestino Mahmoud Abbas declarou três dias de luto nacional. Pessoas fizeram vigílias no sábado e domingo com velas pelas ruas escuras de Ramallah, onde os poemas de Darwish foram lidos em voz alta e várias pessoas choraram.

O poeta, nascido em um território que hoje faz parte de Israel, fez sua residência na Cisjordânia depois de retornar nos anos 1990 de um longo exílio durante o qual adquiriu proeminência na Organização pela Libertação da Palestina, a OLP de Arafat.

“A questão palestina, na poesia de Mahmoud Darwish, não era mais uma lenda, mas a história de um povo feito de carne, sangue e sentimentos”, disse Zehi Wahbi, amigo de Darwish, poeta e apresentador na televisão libanesa.

Para o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, Darwish era “a voz da civilização palestina, com suas dores, tristezas e ambições”. Considerado o poeta nacional palestino, sua obra foi amplamente traduzida.

Vários livros de Darwish foram traduzidos para o vernáculo israelense, o hebraico, apesar de que a mensagem nacionalista de sua obra era muito criticada no estado judaico, onde um plano de ensinar a sua poesia em escolas estatais, nos anos 1990, foi rapidamente descartado.

Darwish deu voz aos sonhos palestinos da criação de um estado, ajudando-os a redigir sua declaração de independência em 1988.

Ele escreveu o discurso proferido por Arafat nas Nações Unidas em 1974: “Eu vim hoje trazendo um ramo de oliveira e a arma de um combatente da liberdade. Não deixem o ramo de oliveira cair de minha mão”.

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