Bolívia aguarda ansiosa os resultados de plebiscito

domingo, 10 de agosto de 2008 18:06 BRT
 

Por Carlos Alberto Quiroga

LA PAZ (Reuters) - Os eleitores bolivianos entraram na tarde de domingo em uma tensa espera pelos primeiros resultados extra-oficiais de um plebiscito sobre a continuidade no poder do presidente esquerdista Evo Morales e de oito dos nove prefeitos regionais.

As mesas de votação começaram a encerrar os trabalhos às 16 horas, horário local, depois de oito horas de funcionamento tranquilo, informaram as cadeias de rádio, mas a lei proíbe que os meios de comunicação divulguem projeções ou cifras consolidadas da votação antes das 18 horas.

A missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) disse que não houve irregularidades graves, exceto um incidente em um povoado amazônico onde a votação foi demorada porque foi necessário repor todo o material eleitoral roubado durante a madrugada por desconhecidos.

A OEA "valoriza a alta participação cidadã e deseja expressar o seu reconhecimento e admiração pelo interesse e vontade cívica dos bolivianos que comparecem com toda a tranquilidade e ânimo para votar", disse a organização em um comunicado.

O presidente Morales disse que sonhava com a unidade e o aprofundamento da democracia na Bolívia, depois de depositar seu voto em uma escola na região central de Chapare, onde nasceu para a vida sindical e política.

"Meu desejo, meu sonho é que haja uma grande unidade do povo boliviano (...), frente a intenções separatistas, saúdo este povo boliviano que luta por sua igualdade, por sua identidade e sobretudo pela unidade", disse em alusão a movimentos de autonomias regionais alentados pela oposição de direita.

O mandatário indígena acrescentou que a revolução socialista que pretendia na Bolívia não era um anseio isolado, porque "na América Latina há uma grande rebelião contra políticas econômicas que não resolvem os problemas sociais, os problemas econômicos das grandes maiorias".

"Hoje temos a certeza de que as pessoas vão sair para defender uma forma de vida, para lutar pela liberdade, mas com justiça", disse no outro extremo o prefeito de oposição de Santa Cruz e líder dos movimentos autonomistas, Rubén Costas, mostrando-se confiante em sua ratificação antes de votar.   Continuação...