Milhões no Irã estão prontos para o martírio, diz Ahmadinejad

terça-feira, 30 de outubro de 2007 17:04 BRST
 

TEERÃ (Reuters) - O presidente Mahmoud Ahmadinejad disse na terça-feira que milhões de iranianos estão dispostos a se sacrificar lutando contra os inimigos do país, numa aparente referência aos Estados Unidos e seus aliados.

Na véspera, um general iraniano declarou que a milícia religiosa Basij e seu espírito de martírio poderiam prejudicar as estratégicas rotas de transporte petrolífero do golfo Pérsico com apenas uma pequena operação.

Ambos discursaram nas cerimônias anuais em homenagem a Mohammad Hosseini Fahmideh, o Basij, morto aos 13 anos quando tentava destruir um tanque do inimigo na guerra Irã-Iraque (1980-88).

"Os inimigos da nação iraniana devem saber que pelo falecimento de mártires como Fahmideh as mãos do povo iraniano não estão vazias", disse Ahmadinejad a uma multidão de estudantes ligados à milícia Basij em Teerã, segundo a agência estatal de notícias Irna. "E hoje milhões de Fahmidehs estão de pé, mais descansados e mais preparados."

O Irã já sofreu dois pacotes de sanções da ONU devido às suspeitas ocidentais de que esteja desenvolvendo armas nucleares, o que Teerã nega. Os EUA não descartam o uso da força caso a diplomacia não convença o Irã a abandonar seu programa nuclear. Teerã diz que reagirá a eventuais agressões, inclusive atacando interesses norte-americanos.

Na segunda-feira, o general-de-brigada Ali Fahdavi, subchefe da força naval da Guarda Revolucionária, disse em um comício da milícia Basij: "A área do golfo Pérsico e o estratégico estreito de Ormuz é de tal forma que uma pequena operação pode ter um grande resultado."

A Guarda Revolucionária, contingente militar de formação ideológica, controla a milícia Basij e já havia insinuado que, sob pressão, poderia prejudicar o fluxo de petróleo no golfo Pérsico e no estreito de Ormuz, seu único acesso.

A milícia Basij é uma força paramilitar que segue escrupulosamente os valores revolucionários islâmicos. Na guerra contra o Iraque, eles forneciam grande parte da mão-de-obra do front. Em tempos de paz, ajudam no policiamento do rígido código de costumes em vigor.