Após bate-boca com o rei, Chávez faz alerta a bancos espanhóis

terça-feira, 13 de novembro de 2007 20:36 BRST
 

CARACAS (Reuters) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse nesta terça-feira que as coisas "não irão correr bem" para os bancos espanhóis caso Madri não contorne o incidente diplomático aberto no fim de semana, quando o rei Juan Carlos mandou Chávez calar a boca.

"Por que você não se cala?", disse o rei ao presidente durante a 17a Cúpula Ibero-Americana em Santiago, num momento em que Chávez interrompia o primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, depois de qualificar o ex-premiê espanhol José María Aznar de "fascista" por supostamente apoiar um golpe de Estado na Venezuela em 2002.

Posteriormente, Chávez disse que a reprimenda do rei foi um resquício do colonialismo espanhol na América Latina.

"O investimento espanhol não é indispensável para nós, o Banco Bilbao Vizcaya, o Banco Santander, não precisamos deles", disse Chávez em entrevista coletiva.

"Então se o governo da Espanha ou o Estado da Espanha começarem a gerar um conflito, as coisas não irão correr bem."

Chávez já havia cogitado neste ano nacionalizar os bancos, a exemplo do que fez com outras atividades econômicas, mas analistas dizem que o mais provável é que ele imponha novas regras ao setor.

O auto-intitulado líder socialista já teve atritos com vários países, mas raramente isso afeta interesses comerciais ou financeiros bilaterais.

O principal alvo das diatribes de Chávez é os Estados Unidos, e mesmo assim a Venezuela continua sendo um dos maiores fornecedores de petróleo para o país.

Empresas espanholas investiram 2,4 bilhões de dólares na Venezuela desde que Chávez assumiu o poder, em 1998, segundo o Conselho de Empresas e Comércio da Espanha.

O grupo Santander tem cerca de 700 milhões de dólares investidos na Venezuela, enquanto o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria SA colocou 670 milhões de dólares no país, segundo cifras divulgadas pelas próprias empresas.

O BBVA e o Santander também são donos, respectivamente, dos bancos Provincial e da Venezuela, que estão entre as maiores instituições financeiras do país.