Equador atenua o tom em renegociações do petróleo

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008 19:42 BRST
 

QUITO, 1o de fevereiro (Reuters) - O Equador está disposto a manter temporariamente os atuais contratos com multinacionais do petróleo, enquanto renegocia o aumento da participação estatal no setor, disseram autoridades na sexta-feira.

Isso representa um recuo do governo do presidente Rafael Correa, que anteriormente defendia a transferência imediata dos atuais contratos (em que as empresas ficam com parte do petróleo extraído) para um novo sistema, em que o Estado ficaria com todo o petróleo e pagaria às companhias uma taxa por seus serviços.

Desde que assumiu o governo, no ano passado, Correa tenta ampliar o controle estatal sobre os recursos naturais.

"Poderia haver um período de transição em que vamos manter os contratos de participação, para mais tarde passar para os acordos por serviços", disse a jornalistas o vice-ministro de Mineração, José Serrano, que faz parte da equipe de renegociação. Segundo ele, o prazo dessa transição também seria negociável.

Em comentários feitos anteriormente em Viena, onde fica a sede da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), o ministro de Petróleo e Minas, Galo Chiriboga, citou a possibilidade de "um espaço de transição entre um contato e outro para evitar problemas."

Segundo Chiriboga, algumas empresas se opõem à transição imediata.

Correa, formado em economia nos EUA, surpreendeu as empresas em 2007 ao aumentar a taxação sobre o petróleo, o que algumas companhias disseram que inviabilizaria suas operações.

A elevação do imposto, porém, contribuiu com sua popularidade, já que muitos equatorianos pobres se sentem excluídos das riquezas do país.

Com o reajuste do imposto, as empresas precisam entregar ao governo quase todo o seu faturamento que ultrapasse um determinado preço contratual.   Continuação...