ANÁLISE-Setor de máquinas agrícolas ainda vislumbra futuro

quinta-feira, 23 de outubro de 2008 20:04 BRST
 

Por James B. Kelleher

CHICAGO, 23 de outubro (Reuters) - Num mundo onde as vendas de equipamentos pesados estão perdendo fôlego devido à crise habitacional e do crédito, o setor de máquinas agrícola é uma raridade: um lugar onde a demanda ainda supera a oferta e onde muitos clientes preferem pagar à vista.

A questão é até quando o mercado agrícola poderá proteger os fabricantes das máquinas da tempestade financeira global. No caso da Deere & Co (DE.N: Cotações) e da CNH CNH.N, a questão é especialmente urgente, porque essas empresas também estão no ramo de equipamentos para a construção civil, um setor especialmente afetado pela crise.

E há sinais abundantes de turbulência no futuro. A cotação dos produtos agrícolas caiu, o que consequentemente pode afetar o setor em curto prazo. O Brasil, por exemplo, que é uma potência agrícola e um importante mercado para a Agco (AG.N: Cotações), já está sofrendo o enxugamento do crédito.

Os investidores têm fugido rapidamente do setor. As ações da Deere, maior fabricante mundial de equipamentos agrícolas, caíram mais de 65 por cento nos últimos seis meses. A Agco e a CNH também já sofreram perdas comparáveis.

Terry Darling, analista da Goldman Sachs, está entre os céticos. Ele acha que o bom desempenho atual é "insustentável", porque "o enfraquecimento no preço das commodities agrícolas deve reduzir a renda dos produtores", o que desestimularia a compra de novos tratores e colheitadeiras, que podem custar mais de 300 mil dólares.

Mas as empresas mesmo se dizem mais otimistas. A CNH teve lucros superiores ao esperado no terceiro trimestre, segundo balanço divulgado na quarta-feira à noite, e por isso elevou sua previsão para o ano todo. Executivos disseram que a demanda continua robusta no quarto trimestre, pelo menos na América do Norte, apesar da correção no preço das commodities.

A empresa, subsidiária da italiana Fiat, disse que as vendas de tratores com motores de mais de 40 cavalos cresceram 40-45 por cento nas primeiras três semanas de outubro na América do Norte, e que no caso das colheitadeiras o aumento chega a 90 por cento.

Numa teleconferência, Sergio Marchionne, executivo-chefe da Fiat, previu que a demanda expressiva por equipamentos agrícolas continuará durante "uma boa fatia" de 2009.   Continuação...