Kirchner pede que lhe esqueçam, mas mantém influência

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008 20:26 BRST
 

Por Damián Wroclavsky

BUENOS AIRES (Reuters) - O ex-presidente Néstor Kirchner pediu aos argentinos em dezembro, quando concluiu seu mandato, que o "esqueçam por um longo tempo", mas ele praticamente não deixou o cenário político.

Em pouco mais de um mês, o "primeiro-marido" tornou-se um defensor da presidente Cristina Kirchner, ajudando-a a responder aos primeiros desafios, como um incidente diplomático com os EUA e tensões com sindicatos.

Embora não tenha cargo no governo e não seja visto na Casa Rosada, Kirchner é o principal assessor de Cristina, e analistas dizem que, ao menos por enquanto, parece haver uma Presidência conjunta.

"Kirchner está co-governando, todos sabemos isso", disse o comentarista político Jorge Halperin. "Cristina é uma política muito capacitada, mas não tem uma base política. Ele tem."

Alguns analistas acham que o ex-presidente acabará assumindo a liderança do Partido Justicialista (peronista). Ele poderia ter disputado a reeleição, em dezembro, e é quase certeza que teria sido eleito, graças a sua imensa popularidade. Mas afinal indicou a mulher, que era senadora.

A campanha dela foi pregando a continuidade, especialmente da política econômica que tirou a Argentina da recessão e abriu as portas para uma fase de rápido crescimento.

A rara transição democrática entre cônjuges consolidou os Kirchners como uma dinastia, mas gerou dúvidas sobre o papel que ele terá no governo dela.

Dias depois da posse, Cristina enfrentou a primeira crise política, com a prisão nos EUA de quatro homens acusados de envolvimento na suposta doação clandestina de 800 mil dólares do governo da Venezuela à campanha eleitoral dela. Ela disse que a acusação é parte de uma "operação lixo".   Continuação...