14 de Janeiro de 2008 / às 22:27 / em 10 anos

Kirchner pede que lhe esqueçam, mas mantém influência

Por Damián Wroclavsky

BUENOS AIRES (Reuters) - O ex-presidente Néstor Kirchner pediu aos argentinos em dezembro, quando concluiu seu mandato, que o “esqueçam por um longo tempo”, mas ele praticamente não deixou o cenário político.

Em pouco mais de um mês, o “primeiro-marido” tornou-se um defensor da presidente Cristina Kirchner, ajudando-a a responder aos primeiros desafios, como um incidente diplomático com os EUA e tensões com sindicatos.

Embora não tenha cargo no governo e não seja visto na Casa Rosada, Kirchner é o principal assessor de Cristina, e analistas dizem que, ao menos por enquanto, parece haver uma Presidência conjunta.

“Kirchner está co-governando, todos sabemos isso”, disse o comentarista político Jorge Halperin. “Cristina é uma política muito capacitada, mas não tem uma base política. Ele tem.”

Alguns analistas acham que o ex-presidente acabará assumindo a liderança do Partido Justicialista (peronista). Ele poderia ter disputado a reeleição, em dezembro, e é quase certeza que teria sido eleito, graças a sua imensa popularidade. Mas afinal indicou a mulher, que era senadora.

A campanha dela foi pregando a continuidade, especialmente da política econômica que tirou a Argentina da recessão e abriu as portas para uma fase de rápido crescimento.

A rara transição democrática entre cônjuges consolidou os Kirchners como uma dinastia, mas gerou dúvidas sobre o papel que ele terá no governo dela.

Dias depois da posse, Cristina enfrentou a primeira crise política, com a prisão nos EUA de quatro homens acusados de envolvimento na suposta doação clandestina de 800 mil dólares do governo da Venezuela à campanha eleitoral dela. Ela disse que a acusação é parte de uma “operação lixo”.

Kirchner, que mantinha uma relação fria com Washington em seu mandato, saiu em defesa da mulher. “O que estão fazendo em Miami é um ultraje. A Argentina não é uma colônia, precisam nos respeitar”, afirmou.

O ex-presidente também interveio na crise entre a esposa e um poderoso sindicalista que ficou indignado com rumores de que não teria apoio dela numa eleição e ameaçou retirar o apoio ao governo.

Em dezembro, a pedido da esposa, Kirchner também viajou à selva colombiana como parte da comitiva internacional que deveria participar do resgate de reféns das Farc. A operação, organizada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aliado do casal Kirchner, acabou sendo adiada e realizada sem a presença da delegação internacional.

Antes de deixar o cargo, Kirchner dizia que pretendia criar uma fundação política. Mas analistas prevêem que ele permanecerá envolvido nas políticas públicas. A imprensa diz que seu novo escritório fica a poucas quadras da Casa Rosada.

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