Sarkozy exige obediência a cessar-fogo na Geórgia

segunda-feira, 8 de setembro de 2008 11:56 BRT
 

Por François Murphy e Oleg Shchedrov

CASTELO MEIENDORF, Rússia (Reuters) - O presidente da França, Nicolas Sarkozy, exigiu na segunda-feira que Moscou cumpra um acordo de cessar-fogo que, segundo o Ocidente, obriga à retirada das tropas russas de dentro da Geórgia.

Rússia e Geórgia travaram uma breve guerra em agosto pelo controle da Ossétia do Sul, uma região separatista georgiana que desde 1992 está sob proteção de Moscou. Sarkozy mediou uma suspensão do conflito, mas governos ocidentais dizem que a Rússia está violando o acordo ao manter uma "zona-tampão" entre a Geórgia e as repúblicas separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia.

"Compartilho plenamente o ponto de vista do presidente (russo, Dmitry) Medvedev, segundo quem o ponto de partida é o acordo", disse Sarkozy no início da sua reunião com o colega russo.

"É precisamente este acordo que deveria ser cumprido", acrescentou Sarkozy, que chegou a Moscou acompanhado pelo presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, e pelo chefe da política externa da UE, Javier Solana.

"Não tenho dúvidas de que se todos agirem responsavelmente vamos encontrar uma solução. Como nossos amigos russos, queremos defender fortemente nossas convicções."

Mais tarde, Sarkozy disse que a Rússia comprometeu-se a retirar os postos de controle dos arredores da cidade portuária de Poti, na Geórgia, e que as forças russas deixarão as "áreas núcleo" da Geórgia em uma semana.

Enquanto a Rússia busca um tom conciliatório com a UE, suas relações com os EUA vão piorando. Na segunda-feira Moscou anunciou o envio de navios de guerra --inclusive um cruzador nuclear-- para exercícios navais no Caribe.

A Rússia se queixa da presença marítima dos EUA na costa do mar Negro, mas nega qualquer ligação disso com seus exercícios no Caribe --em que seus barcos ficaram atracados na Venezuela do antiamericano presidente Hugo Chávez.

A União Européia ameaça suspender a discussão de uma nova parceria com a Rússia caso Moscou mantenha tropas na Geórgia. Mas o bloco europeu tem pouco poder de pressão sobre a Rússia, porque depende da energia exportada pelo gigante eurasiático.

(Reportagem adicional de Aaron Gray-Block em Haia e Conor Sweeney em Moscou)