17 de Janeiro de 2008 / às 20:24 / em 10 anos

Abaixo-assinado denuncia fraude eleitoral em região russa

NAZRAN, Rússia (Reuters) - Dezenas de milhares de habitantes da República da Ingushétia (sul da Rússia) já aderiram a um abaixo-assinado que denuncia fraude na eleição parlamentar de 2007, num raro desafio ao governo do país, disse um organizador do protesto na quarta-feira.

Em dezembro, as autoridades disseram que 99 por cento dos eleitores compareceram às urnas da turbulenta Ingushétia e deram apoio quase unânime ao partido Rússia Unida, do presidente Vladimir Putin, fato que Madomed Evloev, organizador do abaixo-assinado, refuta.

Evloev, ex-dono de um site crítico ao líder regional Marat Zyazikov, nomeado pelo Kremlin, disse ter angariado 88 mil assinaturas de pessoas que afirmam não terem votado, num universo de 450 mil habitantes.

“Cerca de 6 por cento (da população) votou nas eleições da Duma, e a maioria votou no Yabloko (partido oposicionista liberal)”, disse Evloev à Reuters.

As autoridades ingushes afirmam desde o começo que a votação foi legítima.

Evloev negou ter motivações partidárias. “Queremos viver pacificamente, sem esquadrões da morte operando na república, sem pessoas sendo sequestradas e assassinadas”, afirmou.

“Se as autoridades não prestarem atenção a essas exigências, o resultado será ruim. Os jovens vão se radicalizar. Neste momento, a maior resistência na Chechênia é de (combatentes) ingushes”, disse Evloev.

A Ingushétia faz fronteira com a república separatista da Chechênia, e ambas as regiões têm população com maioria muçulmana.

Ainda há combates na Chechênia, enquanto na Ingushétia e no Daguestão a situação de segurança piorou. Praticamente não há um só dia sem tiroteio, atentado, operação policial, assassinato ou sequestro.

Outras repúblicas do norte do Cáucaso também anunciaram grande comparecimento às urnas em dezembro, sempre com vitória do Rússia Unida, que em todo o país obteve 64 por cento dos votos.

Sites e blogueiros russos dizem que a polícia intimidou os organizadores e signatários do abaixo-assinado na Ingushétia.

Evloev e seus seguidores enviaram a petição ao procurador-geral russo, em Moscou, pedindo a ele que anule o resultado.

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