Empresários bolivianos farão campanha contra nova Constituição

quarta-feira, 1 de outubro de 2008 15:03 BRT
 

LA PAZ, 1o de outubro (Reuters) - A principal organização empresarial da Bolívia disse na quarta-feira que fará uma campanha contra a nova Constituição que o presidente Evo Morales pretende levar a referendo.

Morales negocia um acordo com governadores oposicionistas que rejeitam a mudança constitucional e ao mesmo tempo reivindicam autonomia para suas regiões --coisas que o governo diz não serem incompatíveis.

Gabriel Dabdoub, presidente da Confederação de Empresários Privados da Bolívia (CEPB), disse que essa entidade questiona particularmente o que considera ser uma falta de garantias para a propriedade individual e para a empresa privada na nova Carta.

"Vamos fazer campanha pelo 'não' à Constituição do (partido governista) MAS", disse Dabdoub a correspondentes internacionais.

É a primeira vez que a CEPB anuncia oposição aberta à mudança constitucional, principal projeto político de Morales.

O próprio Dabdoub deve aparecer num comercial para "denunciar os riscos para a liberdade" que a Constituição poderia trazer. O dirigente disse ainda que a campanha fará um "rechaço pontual" a determinados artigos da Constituição, mesmo que no referendo não haja possibilidade de vetos parciais.

Ele argumentou que a oposição da entidade à nova Carta se baseia no fundamento "filosófico" da liberdade econômica e individual. Morales diz que a intenção da Constituição é dar mais poderes à maioria indígena, ampliar o papel econômico do Estado e promover uma reforma agrária.

O texto reconhece a existência da propriedade pública, individual e coletiva (ou comunitária), e embora privilegie o controle econômico estatal, também estimula a criação de empresas privadas e comunitárias.

Morales acusa a oposição de realizar uma "campanha suja" ao insinuar que ele gostaria de transformar a Bolívia em uma nova Cuba.

O diálogo entre o governo e os governadores oposicionistas de Santa Cruz, Beni e Tarija deve ser retomado no domingo, segundo anúncio de ambas as partes.

(Por Carlos Alberto Quiroga)