Governo revê patamar de preço da energia após deságio em leilão

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007 18:24 BRST
 

Por Renata de Freitas

BRASÍLIA (Reuters) - O lance ousado do consórcio que venceu o leilão para a construção da usina hidrelétrica Santo Antônio, no rio Madeira, em Rondônia, criou no governo a expectativa de queda consistente no preço da energia no país nos próximos anos.

O consórcio do qual participam o grupo Noberto Odebrecht, a construtora Andrade Gutierrez e estatais aceitou deságio de 35 por cento, causando tanto espanto quanto a recente licitação de concessões de rodovias federais. Autoridades do governo disseram que não esperavam deságio tão grande.

O mercado de capitais tinha, no entanto, dificuldade em enxergar o retorno para o investimento bilionário, o que derrubava nesta segunda-feira as ações da Eletrobrás, holding estatal a que pertence Furnas, participante do consórcio vencedor.

Perto do final do pregão na Bovespa, as ações da empresa caíam 3,5 por cento.

"Com a retomada dos projetos hidrelétricos, o futuro da energia no Brasil é de preço mais barato", afirmou o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. Ele observou que a última grande licitação de usina havia sido em 1994 --a de Xingó, em Alagoas, obra da qual a Odebrecht também participa.

Tolmasquim argumentou que o leilão marca finalmente a entrada em vigor do novo modelo do setor elétrico, aprovado no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O leilão --que chegou a ser adiado algumas vezes pela dificuldade em se obter licença ambiental e, posteriormente, por disputa entre os grupos interessados-- movimentou cerca de 30 bilhões de reais em energia a ser entregue a partir de 2012 para 32 distribuidoras. Uma parte da energia da nova usina também será vendida no mercado livre.

DECISÃO NUM FLASH   Continuação...