Sarkozy critica China por iuan fraco e direitos humanos

segunda-feira, 26 de novembro de 2007 10:53 BRST
 

Por Tim Hepher e Emmanuel Jarry

PEQUIM (Reuters) - O presidente da França, Nicolas Sarkozy, levou sua tradicional franqueza na segunda-feira à China, onde pediu publicamente ao colega Hu Jintao que permita a valorização do iuan e melhore a situação dos direitos humanos.

Impassível, Hu ouviu às críticas de Sarkozy, depois de ambos participarem da assinatura de contratos empresariais de 30 bilhões de dólares.

O presidente francês também reservou elogios à China, mas disse que o país precisa assumir responsabilidades cada vez maiores, especialmente nas questões ambientais e no sistema mundial de câmbio. Ele não tocou no assunto do Tibet, mas disse que o país precisa fazer mais pela liberdade de imprensa.

"Precisamos chegar a taxas cambiais que sejam harmoniosas e justas", disse Sarkozy, com a franqueza que se tornou sua característica desde sua eleição, em maio.

"Isso significa que, também para o seu próprio bem, a China precisa acelerar a apreciação do iuan contra o euro", disse Sarkozy a jornalistas numa aparição ao lado de Hu no Grande Salão do Povo, em frente à praça da Paz Celestial.

A União Européia, que neste ano tomou o lugar dos EUA como maior parceira comercial da China, pressiona Pequim a permitir uma valorização do iuan. A moeda desvalorizada barateia as exportações chinesas e dificulta o acesso de outros países ao gigantesco mercado local.

A UE também se alinhou a Washington nos apelos para que a China combata a pirataria e reduza suas barreiras comerciais.

O comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, irritou a China com um alerta de que sua reputação estaria ameaçada devido aos recentes problemas envolvendo diversos produtos chineses no mundo.

A vice-primeira-ministra Wu Yi, considerada a "Dama de Ferro" chinesa, ficou irritada com as declarações feitas por Mandelson numa conferência em Pequim. "Estou extremamente insatisfeita", disse ela, rispidamente, a jornalistas.

REUTERS FE