July 9, 2008 / 8:10 PM / 9 years ago

ANÁLISE-G8 emite sinais políticos e apresenta resultado modesto

6 Min, DE LEITURA

Por Alan Wheatley

TOYAKO, Japão, 9 de julho (Reuters) - Se a cúpula deste ano do Grupo dos Oito (G8) obteve algum resultado, foi o de reafirmar duas obviedades: os problemas dos dias atuais, tais como o aquecimento global, são imensamente complexos e o G8 não conseguirá resolvê-los sozinho.

Sob esse ponto de vista, sempre foi algo irreal esperar da entidade que tirasse um coelho da cartola e solucionasse milagrosamente a principal questão da cúpula -- como limitar as emissões de gases do efeito estufa que os cientistas afirmam estar aquecendo o planeta até níveis perigosamente altos.

Sendo assim, não seria um aposta ruim prever que o encontro de 2009 requentará os mesmos argumentos sobre o aquecimento global que dominaram os três dias de negociações realizadas na ilha de Hokkaido (Japão).

A reforçar essa previsão há o fato de que a próxima cúpula do G8, marcada para a Itália, ocorrerá mais perto da conferência de 2009 da Organização das Nações Unidas (ONU), em Copenhague, que, assim esperam os negociadores, acertará um pacto capaz de substituir o Protocolo de Kyoto, o qual deixa de vigorar em 2012. Por que mostrar suas cartas antes do momento necessário?

Mas isso não significa que a cúpula tenha sido uma perda de tempo. A principal missão do G8 é enviar sinais políticos claros, não assinar acordos.

Dessa forma, os contribuintes japoneses terão de esperar até Copenhague para ver se os 60 bilhões de ienes (560 milhões de dólares) gastos pelo governo do Japão para realizar a cúpula representaram ou não um bom investimento.

"Uma manifestação de vontade política clara da parte de 16 líderes -- isso será com certeza uma força contundente para levar adiante as negociações da ONU", afirmou o primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda.

É verdade que as promessas do G8 para trabalhar rumo à meta de reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 50 por cento até 2050 ficaram aquém do que os ambientalistas desejavam. Mas os ambientalistas nunca ficariam satisfeitos.

É verdade que os líderes do G8 não fixaram nenhuma meta numérica capaz de convencer a opinião pública sobre sua seriedade a respeito de atingir aqueles objetivos daqui a décadas, quando terão saído do poder e estarão, provavelmente, mortos.

E é verdade também que outros oito grandes países poluidores do mundo convidados para participarem do último dia de negociações -- formando os 16 a que Fukuda se referiu -- não aderiram à meta de 2050.

Mas a política é a arte do possível, e analistas disseram que convencer o presidente norte-americano, George W. Bush, a dar apoio à meta da metade do século significou um sucesso palpável para o país-sede da cúpula.

"Podemos dizer que se trata de um problema, um desafio ou uma realidade do cenário político internacional o fato de que essas negociações trabalham algumas vezes com o mínimo denominador comum. E o mínimo denominador comum no G8 são os EUA", disse Marthinus van Schalkwyk, ministro sul-africano do Meio Ambiente.

Hora De Ampliar O g8?

Depois de o governo norte-americano ter cedido e de o G8 haver acertado que precisa fixar metas ambiciosas de médio prazo para diminuir as emissões, os contornos de um eventual acordo de Copenhague começam a tomar forma.

Os países ricos arcariam com a maior parte do fardo representado pelos cortes, ao passo que os países mais pobres adotariam obrigações menos pesadas e receberiam muita ajuda financeira e tecnológica das potências ocidentais.

Os países em desenvolvimento preocupam-se, justificadamente, com a possibilidade de que demorarão mais para acabar com a pobreza caso sejam obrigados a diminuir a emissão de poluentes.

"A tarefa central da China é desenvolver sua economia e melhorar a vida do povo", afirmou o presidente Hu Jintao, da China, que depende do carvão para mais de 70 por cento de sua energia.

Na quarta-feira, no Japão, o Encontro das Grandes Economias (G8 mais Brasil, China, Índia, África do Sul, Indonésia, México, Coréia do Sul e Austrália) reuniu os países que respondem por 80 por cento das emissões mundiais de gases do efeito estufa.

O G8, no entanto, não parece estar prestes a perder espaço. O Japão, por exemplo, valoriza o fato de presidir a cúpula deste ano.

"Não vemos necessidade nenhuma em expandir o número de membros do G8", disse o ministro japonês das Relações Exteriores, Kazuo Kodama. "Acreditamos que o formato e o tamanho atuais do G8 são suficientemente representativos para discutirmos todas essas questões."

Os EUA também se disseram contrários a uma reforma da organização, mesma posição defendida pela chanceler da Alemanha, Angela Merkel. Isso ao menos por enquanto.

"Não sei dizer se dentro de dois, cinco ou 15 anos estaremos formando um grupo maior", disse Merkel.

Dominique Strauss-Kahn, ex-ministro das Finanças da França, que hoje comanda o Fundo Monetário Internacional (FMI), disse que a reforma do grupo, que se reuniu pela primeira vez em 1975, era apenas uma questão de tempo.

"Não tenho dúvidas de que, no futuro próximo, o G8 será ampliado", afirmou.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below