Rebeldes curdos ameaçam oleodutos turcos se forem atacados

sexta-feira, 19 de outubro de 2007 15:58 BRST
 

ANCARA (Reuters) - Guerrilheiros curdos podem atacar oleodutos se houver uma ofensiva das tropas turcas contra eles, afirmou na sexta-feira um de seus líderes, segundo uma agência pró-rebeldes.

O Parlamento turco autorizou na quarta-feira a incursão de soldados turcos em território iraquiano para perseguir rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), entidade proibida na Turquia.

"Não temos nenhuma política específica sobre os oleodutos, mas agora estamos numa guerra defensiva ... Como os oleodutos que cruzam o Curdistão fornecem recursos econômicos para a agressão do Exército turco, é possível que eles sejam alvo dos guerrilheiros", disse Murat Karayilan, comandante do PKK, segundo a agência de notícias Firat.

A Firat, que tem sede na Europa, com frequência publica declarações da liderança do PKK. O grupo já ameaçou atacar alvos econômicos turcos no passado, mas as ameaças adquiriram um novo tom de urgência depois da aprovação da medida pelo Parlamento.

A posição da Turquia na questão colaborou para a alta recorde do preço do petróleo desta semana. Oleodutos que vêm do Iraque e do Azerbaijão cruzam o leste da Turquia, que quer se tornar um importante entreposto entre os países produtores de petróleo e os mercados ocidentais.

O governo do premiê turco Tayyip Erdogan está sofrendo forte pressão pública para tomar providências contra o PKK no norte do Iraque, depois de uma série de ataques contra soldados e policiais turcos nas últimas semanas, que mataram cerca de 30 pessoas.

Na sexta-feira, Erdogan exigiu que o governo iraquiano feche os acampamentos do PKK no norte do Iraque, de maioria curda, e entregue os líderes rebeldes. Karayilan faz parte da lista dos mais procurados por Ancara.

Os Estados Unidos e o Iraque pediram à Turquia, o segundo maior exército da Otan, que evite uma ação militar, temendo que a atitude desestabilize toda a região.

A Turquia responsabiliza o PKK pelas mortes de mais de 30 mil pessoas desde o início da campanha armada do grupo por uma pátria no sudeste turco, de maioria curda, em 1984.