Ex-diretor do BC vê alta de 1,75 ponto na Selic neste ano

segunda-feira, 4 de agosto de 2008 12:06 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 4 de agosto (Reuters) - O Banco Central precisará aumentar a taxa Selic em 1,75 ponto percentual até o fim do ano para trazer a inflação de volta ao centro da meta, de 4,5 por cento, em 2009, de acordo com o economista-chefe do Santander e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Alexandre Schwartsman.

"Acho que isso seria suficiente para trazer a inflação para a meta... Esse ano nossa projeção é de 6,3 ou 6,4 por cento. Estamos no limite. Qualquer espirro para lá ou para cá pode mudar", disse o economista a jornalistas durante seminário do BC sobre metas de inflação, no Rio.

Segundo ele, o crescimento da economia esse ano deve ficar em entre 4,6 e 4,8 por cento, uma vez que os efeitos da política monetária mais rígida serão mais sentidos no ano que vem, quando a expansão deve ser de 3,5 por cento.

"Obviamente, a política mais forte vai provocar uma flutuação de crescimento. A história diz que se você não fizer nada e deixar a inflação persistentemte acima da meta, o trabalho lá na frente vai ser muito maior e mais custoso", disse Schwartsman.

O economista frisou que a inflação brasileira é quase totalmente nacional porque "ao se pegar o aumentos dos preços fora do Brasil e corrigir pelo câmbio o impacto é de aproximadamente zero".

"O problema da inflação tem que ser resolvido com política doméstica... Um dos motivos que a Selic é tão alta é a existência de outras taxas que não reagem e ficam muito abaixo da Selic... Isso gera uma ineficiência da Selic porque o esforço da Selic tem que ser maior", disse.

Para ele, além dos juros, o aperto na política fiscal seria um outro instrumento que o governo poderia usar para a conter a inflação brasileira.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Edição de Vanessa Stelzer e Renato Andrade)