6 de Dezembro de 2007 / às 12:21 / 10 anos atrás

ONU elogia em Bali medida climática do Senado dos EUA

Por Alister Doyle

NUSA DUA, Indonésia, 6 de dezembro (Reuters) - A Organização das Nações Unidas elogiou na quinta-feira uma comissão do Senado dos Estados Unidos que aprovou limites às emissões de gases do efeito estufa, apesar de a Casa Branca manter sua resistência aos cortes compulsórios.

“É um sinal muito encorajador por parte dos EUA”, disse Yvo de Boer, chefe do Secretariado de Mudança Climática da ONU, durante a conferência que reúne 190 países em Bali, Indonésia.

O governo Bush aparece cada vez mais isolado nas negociações preliminares ocorridas de 3 a 14 de dezembro na ilha de Bali. Na segunda-feira, a Austrália ratificou o Protocolo de Kyoto, deixando os EUA como o único país desenvolvido fora do pacto.

A Comissão de Meio Ambiente e Obras Públicas do Senado norte-americano aprovou na quarta-feira, por 11-8 votos, um projeto que estabelece limites à emissão de carbono e um sistema de créditos para indústrias, usinas elétricas e transportes. O projeto agora vai ao plenário do Senado.

“Isso não vai alterar nossa posição aqui”, disse o negociador norte-americano Harlan Watson a jornalistas em Bali.

Segundo ele, o governo, que defende metas apenas como “inspiração”, vai manter suas próprias iniciativas climáticas, reunindo grandes economias no Havaí, provavelmente nos dias 29 e 30 de janeiro, para discutir a questão. Já houve um evento semelhante em setembro em Washington.

O presidente George W. Bush defende que os 17 maiores emissores de carbono, responsáveis por 80 por cento do total mundial, definam novas metas climáticas até o final de 2008, quando termina o mandato dele. Tais metas deveriam servir de base para um novo tratado da ONU, a ser concluído até o final de 2009.

URSOS POLARES E AMAZÔNIA

O evento da Indonésia serve para iniciar as negociações para o tratado que sucederá ao Protocolo de Kyoto, a partir de 2013. De Boer disse que “as coisas estão indo bem” em Bali.

Bush retirou os EUA do Protocolo de Kyoto por entender que as restrições prejudicam a economia norte-americana e que o tratado é injusto por excluir os países em desenvolvimento das metas.

Separadamente, mais de 200 cientistas de todo o mundo pediram às autoridades reunidas em Bali que aceitem cortes mais profundos e rápidos nas emissões de gases do efeito estufa, especialmente provocadas pela queima de combustíveis fósseis.

Em frente ao centro de conferências de Bali, oito ativistas fantasiados de ursos polares -- uma espécie ameaçada pelo degelo do Ártico -- carregavam cartazes alertando que “os humanos precisam de ajuda também”.

Também na quarta-feira, a entidade WWF disse que 55 por cento da Amazônia pode ser devastada ou gravemente danificada até 2030 por causa de “um círculo vicioso de mudança climática e desmatamento”.

O estudo diz que a devastação poderia reduzir as chuvas, afetando a agricultura e a extração de madeira e provocando queimadas e secas.

A Amazônia é um gigantesco depósito de dióxido de carbono, o principal dos gases do efeito estufa, que acaba sendo liberado quando as árvores apodrecem ou são queimadas.

Reportagem adicional de Alister Doyle em Bali, Deborah Zabarenko em Washington e James Grubel em Canberra

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