Líder do Equador ganha força antes de referendo constitucional

terça-feira, 19 de agosto de 2008 13:20 BRT
 

QUITO (Reuters) - O apoio ao presidente do Equador, Rafael Correa, continua a crescer antes do referendo convocado para aprovar uma nova Constituição, mostraram pesquisas na terça-feira.

A nova Carta Magna deve ampliar os poderes do dirigente, um político de esquerda.

O especialista em pesquisas Santiago Perez disse que os resultados de sua enquete, divulgados na sexta-feira à noite, mostravam que o apoio à nova Constituição elevou-se a 50 por cento, perto da maioria necessária para aprová-la. A oposição ao texto constitucional rondava a casa dos 27 por cento.

Correa, um ex-professor de faculdade, é popular entre os equatorianos por realizar gastos pesados em programas sociais e por causa de suas promessas de combater uma antiga classe política enraizada no poder e apontada pelo presidente como a culpada pela instabilidade que ajudou a derrubar os três antecessores dele no cargo.

A nova Carta Magna daria ao dirigente mais poder sobre o Poder Legislativo e sobre o Poder Judiciário. Além disso, permitiria a reeleição dele uma vez mais.

Adversários de Correa, ex-ministro da Economia e aliado do presidente venezuelano, Hugo Chávez, dizem que o líder equatoriano deseja amealhar poderes ditatoriais.

Em outra pesquisa divulgada na terça-feira, essa do instituto CMS, o apoio à Constituição aumentou 4 pontos percentuais em relação ao resultado anterior, para 43 por cento. O CMS entrevistou, por telefone, 21.943 pessoas.

"Mesmo depois dos embates com a Igreja e com os partidos políticos, Correa continua a ter muita credibilidade", afirmou a um canal de TV o principal especialista do instituto, Santiago Cuesta, acrescentando que 24 por cento dos eleitores opunham-se ao texto constitucional.

Líderes da Igreja Católica do Equador afirmam que a nova Carta Magna abre as portas para o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, algo negado por Correa. Segundo especialistas, essa desavença poderia custar votos ao presidente no referendo de 28 de setembro.   Continuação...