24 de Outubro de 2007 / às 13:02 / 10 anos atrás

Californianos fogem do fogo em abrigos com ioga e acupuntura

<p>Atingidos pelos inc&ecirc;ndios em Ramona, Calif&oacute;rnia, separam seus pertences em estacionamento do est&aacute;dio Qualcomm, um dos centros para os desabrigados nos EUA. Se existisse um guia para abrigos em emerg&ecirc;ncias, o est&aacute;dio Qualcomm levaria cinco estrelas, com suas sess&otilde;es de ioga e acupuntura para adultos estressados, palha&ccedil;os e balas para crian&ccedil;as entediadas e at&eacute; refei&ccedil;&otilde;es kosher. Photo by Mike Blake</p>

Por Dana Ford

SAN DIEGO (Reuters) - Se existisse um guia para abrigos em emergências, o estádio Qualcomm, em San Diego, levaria cinco estrelas, com suas sessões de ioga e acupuntura para adultos estressados, palhaços e balas para crianças entediadas e até refeições kosher.

O estádio, onde normalmente joga o time de futebol americano San Diego Chargers, foi improvisado nesta semana para receber 10 mil pessoas expulsas de suas casas pelos incêndios no condado.

Autoridades municipais e estaduais e legiões de voluntários se desdobram para atender não só às necessidades básicas dos desabrigados, mas também para que eles se sintam quase em casa.

Há água e comida à vontade. No principal corredor do estádio, mesas enfileiradas oferecem frios, pães, condimentos, biscoitos, frutas e café. O jantar tinha rosbife, legumes frescos, salada e arroz.

Refugiados judeus puderam seguir sua dieta religiosa, já que alguns alimentos tinham a etiqueta de “kosher”.

“Você ouve todas as histórias de horror do furacão Katrina (que atingiu Nova Orleans em 2005), mas aqui não tem nada daquilo”, disse Linda Leonik, 22 anos, que fugiu de casa, na sofisticada região de Rancho Bernardo, com o marido e os filhos gêmeos de seis meses.

“Temos todos os recursos de que precisamos. Fiquei bem surpresa de como as pessoas se uniram para isso”, afirmou.

O clima quase festivo é radicalmente diferente da superlotação, da escassez de recursos e do medo de violência que eram vistos entre os desesperados refugiados instalados no ginásio Superdome, em Nova Orleans, durante a passagem do Katrina. Faltava água, comida e banheiros.

Ao contrário da população do Superdome, composta em geral pelos mais pobres de Nova Orleans, no Qualcomm a maior parte das pessoas vem dos subúrbios mais ricos de San Diego.

Para as crianças, palhaços fazem bichos com bexigas, pessoas fantasiadas como personagens de “Guerra nas Estrelas” distribuem balas, um ventríloquo se apresenta com bonecos e voluntários pintam rostos. Alguns meninos e meninas passam o tempo numa área repleta de lápis e livros para colorir.

Acupunturistas montaram uma clínica improvisada, e cartazes encaminham os refugiados mais estressados para sessões de ioga e meditação em outros pontos do estádio. Também há serviços de aconselhamento psicológico e massagem terapêutica.

Os organizadores também se empenham para manter os refugiados plugados. Há monitores de TV espalhados por todo o estádio, e no saguão foi montada uma central para a recarga de celulares.

No fim da tarde de terça-feira, a situação era tão boa no estádio que o prefeito de San Diego, Jerry Sanders, divulgou nota dispensando novas doações individuais.

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