29 de Agosto de 2008 / às 19:39 / 9 anos atrás

ATUALIZA-Rússia pede que UE use razão ao tratar de Geórgia

(Texto reescrito e atualizado com mais informações e detalhes)

Por Conor Sweeney e François Murphy

PARIS/MOSCOU, 29 de agosto (Reuters) - A Rússia e as potências européias tentaram evitar uma confrontação aberta a respeito da Geórgia na terça-feira, dia em que o governo russo pediu à União Européia (UE) que não adote precipitadamente uma ação punitiva e em que a França disse não ser este o momento para sanções.

Governos do Ocidente criticaram a Rússia por enviar soldados para várias localidades da Geórgia, uma ex-República Soviética, e por reconhecer a independência das duas regiões georgianas separatistas. Em meio à crise, surgiram declarações semelhantes às proferidas durante a Guerra Fria.

Depois de o governo russo ter reconhecido como independentes as regiões da Ossétia do Sul e da Abkházia, a Geórgia afirmou que cortaria seus laços diplomáticos com o país vizinho. Um membro do Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse à agência de notícias RIA que o governo russo responderia fechando sua embaixada em Tbilisi.

"Seria muito estranho ter relações diplomáticas com a Rússia" enquanto os russos selam laços diplomáticos com as regiões separatistas, afirmou a ministra georgiana das Relações Exteriores, Ekaterine Tkeshelashvili.

Segundo diplomatas, há sinais de que a Rússia retaliará caso os líderes da UE, em uma cúpula marcada para ocorrer na segunda-feira, em Bruxelas, decidam-se por impor-lhe sanções. O bloco europeu depende do combustível vendido pelos russos.

Mas empresas petrolíferas e autoridades do governo da Rússia negaram a notícia divulgada por um jornal britânico sobre os russos estarem se preparando para restringir a remessa do combustível em resposta a eventuais sanções.

Um importante diplomata da França, atual ocupante da Presidência rotativa da UE, afirmou que nenhuma sanção seria adotada na cúpula. Essa mensagem contraria aquela divulgada na quinta-feira pelo chanceler francês, Bernard Kouchner, segundo o qual as sanções constavam dos pontos a serem debatidos naquele encontro.

"Com certeza, não chegou a hora de adotarmos sanções", afirmou o diplomata francês.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse, sem citar nomes, que alguns países estavam tentando arrastar a UE para "o caminho da confrontação".

"Esperamos que a razão prevaleça sobre as emoções, que os líderes da UE encontrem a coragem necessária para rechaçar uma avaliação unilateral a respeito do conflito", afirmou o porta-voz Andrei Nesterenko em uma entrevista coletiva realizada em Moscou.

Pouco antes, o ministério havia divulgado um comunicado veemente afirmando que os países do Grupo dos Sete (G7), que nesta semana criticaram a ação dos russos na Geórgia, agiam de forma "tendenciosa".

Em uma entrevista concedida na quinta-feira, o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, acusou os EUA de orquestrarem o conflito na Geórgia -- uma acusação que o governo norte-americano rebateu.

Putin sugeriu ainda que a cooperação da Rússia com o Ocidente a respeito de questões como o comércio e o combate à proliferação nuclear poderia ser prejudicada no embate em torno da Geórgia.

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