Venezuela faz contagem regressiva para resgate de reféns

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007 17:24 BRST
 

CARACAS (Reuters) - A Venezuela vive grande expectativa nesta sexta-feira para a caravana aérea que parte nas próximas horas do país em direção à selva colombiana para recolher três reféns prometidos pela guerrilha Farc.

A operação, coordenada por Caracas com a participação de monitores internacionais, é uma espécie de revanche para o presidente Hugo Chávez, incomodado com o fato de ter sido recentemente afastado pelo governo colombiano da tentativa de mediar a libertação de um grupo maior de reféns.

Chávez disse em discurso na sexta-feira que a entrega dos reféns dependerá das condições climáticas na região, mas pode acontecer "nas próximas horas". Já a Cruz Vermelha Internacional, também envolvida na operação, disse na Colômbia que a libertação não deve ocorrer na sexta-feira.

Os aviões e helicópteros decolarão do sudoeste da Venezuela em direção a Villavicencio, cerca de 90 quilômetros a sudeste de Bogotá. De lá, o grupo partirá para um local não revelado, onde devem ser entregues a ex-deputada Consuelo González, 57 anos, a ex-candidata a vice-presidente Clara Rojas, 43, e o filho dela, Emmanuel, de 3 anos.

A libertação desses três reféns desperta esperanças de futuras negociações para a devolução de centenas de pessoas mantidas em cativeiro pela guerrilha, inclusive a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, com quem Rojas trabalhava.

As conversações para a troca de reféns por rebeldes presos pelo governo estão paralisadas. Mas há pouco mais de uma semana as Farc, maior guerrilha da Colômbia, ofereceram a libertação dos três reféns como gesto unilateral de "desagravo" a Chávez por ter sido afastado da mediação.

Entre os convidados internacionais estão o assessor especial do Palácio do Planalto Marco Aurélio Garcia e o ex-presidente argentino Néstor Kirchner, a quem Chávez agradeceu expressamente por sua participação.

Chávez dissera na quinta-feira que supervisionará pessoalmente na tarde da sexta-feira a partida da comitiva, que foi aprovada por Bogotá e tem representantes de Argentina, Bolívia, Brasil, Cuba, Equador, França e Suíça. O protagonismo de Chávez na libertação dos reféns é uma lufada de ar fresco para o presidente esquerdista, que vem de dois episódios negativos desde novembro: o "cala a boca" dito a ele pelo rei da Espanha, Juan Carlos, durante uma cúpula em Santiago, e a derrota no referendo constitucional que, entre outras medidas, lhe permitiria a reeleição ilimitada. (Com reportagem adicional de Deisy Buitrago em Caracas e Luis Jaime Acosta em Bogotá)