Meirelles destaca difusão da inflação e nega candidatura em 2010

terça-feira, 17 de junho de 2008 07:03 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, destacou a difusão da inflação no último mês ao rebater críticas de que a elevação do juro não é o remédio adequado para um aumento de preços que seria "importado" dos alimentos e do petróleo. Meirelles também negou que será candidato nas eleições de 2010.

"O componente importado é apenas um componente (da inflação). O índice de difusão no último mês foi de 73 por cento, então não se trata mais só das commodities", afirmou em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite de segunda-feira.

"Os preços no atacado também estão bastante elevados, o que indica chance grande de repasse. E, se olharmos os núcleos, vemos que a inflação está subindo acima da meta em 12 meses".

Meirelles repetiu o tom da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em que a Selic subiu para 12,25 por cento ao ano, ao afirmar que o BC está preparado "para tomar a medida que for necessária" contra a escalada dos preços, e defendeu que a demanda precisa estar ajustada à oferta. Ele ponderou, no entanto, que a própria inflação acaba freando um pouco o consumo.

"Há uma má e uma boa notícia. A má notícia é que existe uma epidemia, como a de gripe por exemplo, e o doente pegou a doença (inflação). A boa notícia é que o remédio existe e foi tomado a tempo e a hora".

O presidente do BC também repetiu que a taxa básica de juros é o principal instrumento de política monetária e descartou adotar controles de crédito com esse objetivo.

"O BC não vai tomar medidas administrativas regulando prazos de empréstimos. Não está nos planos", disse Meirelles, ponderando que é papel de todo BC monitorar com cuidado a evolução dos financiamentos e, eventualmente, tomar medidas prudenciais.

"IMPOPULAR"

Questionado se um esforço fiscal maior do governo também não ajudaria no combate à inflação, Meirelles procurou ser diplomático. "O que digo é que qualquer ajuda é bem-vinda. Não há dúvida de que quanto maior o superávit primário menor a pressão sobre o juro, mas existem outras demandas da sociedade".   Continuação...