8 de Março de 2008 / às 16:07 / 10 anos atrás

Putin adverte o Ocidente: Medvedev não é mais moderado

<p>O presidente da R&uacute;ssia, Vladimir Putin, alertou o Ocidente no s&aacute;bado que n&atilde;o haver&aacute; mais facilidades sob o governo de Dmitry Medvedev, que defender&aacute; ativamente os interesses russos no cen&aacute;rio mundial. Photo by Ria Novosti</p>

Por Denis Dyomkin

NOVO-OGARYOVO, Rússia (Reuters) - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, alertou o Ocidente no sábado que não haverá mais facilidades sob o governo de Dmitry Medvedev, que defenderá ativamente os interesses russos no cenário mundial.

Falando após conversas com a chanceler alemã Angela Merkel, Putin afirmou sentir que alguns líderes mundiais estavam esperando o fim de seu governo por acharem desconfortável trabalhar com um ex-espião da KGB.

Mas Putin disse que Medvedev, que foi eleito presidente nas eleições de 2 de março, é um patriota russo que defenderá os interesses do país.

“Eu não acho que nossos parceiros terão mais facilidade com ele”, disse Putin a jornalistas em uma coletiva conjunta com Merkel, que faz a primeira visita de um líder estrangeiro desde que Medvedev foi eleito presidente.

Merkel afirmou que via Medvedev como seu “parceiro imediato no diálogo” preparatório para o encontro do Grupo dos Oito no Japão, no final deste ano. Medvedev receberá Merkel em separado, em um encontro mais tarde neste sábado.

Merkel deve manifestar preocupação a respeito da isenção das eleições vencidas por Medvedev. Deve também avaliar as perspectivas em uma mudança na política externa do futuro presidente, a ser empossado em maio.

Observadores internacionais e grupos de oposição disseram que as eleições de março não foram justas. Putin, por sua vez, afirmou que a votação ocorreu de acordo com a constituição da Rússia.

O relacionamento entre Medvedev e Merkel, uma física da ex-Alemanha Oriental que fala russo, deve desempenhar um papel decisivo nas relações entre os dois países e com a União Européia.

Merkel, que no passado repreendeu Putin por violações aos direitos humanos, tem também buscado aumentar o comércio com a economia crescente da Rússia e atuar como mediadora entre Moscou, Washington e os parceiros da Rússia na União Européia.

A Alemanha é de longe o maior parceiro comercial da Rússia, com um recorde de 52,8 bilhões de dólares no comércio bilateral em 2007. Empresas alemãs investiram 3,4 bilhões de dólares na Rússia no ano passado e possuem importantes investimentos no setor energético daquele país.

A Ruhrgas tem uma fatia de 6 por cento na gigante russa Gazprom, do setor de gás, e o grupo de dutos de gás russo-germânico Nord Stream está construindo um duto submarino de milhões de dólares que levará o produto da Rússia à Europa Ocidental.

Espera-se em Berlim que a eleição de Medvedev possa introduzir uma mudança nas relações com a Rússia, depois de conflitos com Putin a respeito da independência do Kosovo e de planos dos EUA de construir um escudo de mísseis na Europa Central.

Merkel tem sido mais crítica a Putin do que seu antecessor, Gerhard Schroeder, mas está muito ciente da dependência da Alemanha em relação à energia da Rússia e do papel de Moscou em disputas internacionais, como o caso do Irã.

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