Cuba acusa Bush de incitar a violência em discurso

quarta-feira, 24 de outubro de 2007 20:31 BRST
 

HAVANA (Reuters) - O governo de Cuba acusou na quarta-feira o presidente George W. Bush de encorajar uma rebelião violenta na ilha com um discurso em que incentivou os cubanos a promover uma mudança democrática.

"O senhor nunca vai nos obrigar a ajoelhar", disse o chanceler Felipe Pérez Roque em resposta ao discurso de Bush, 15 meses depois do afastamento de Fidel Castro do poder por questões de saúde.

Bush afirmou que vai manter as sanções à ilha e conclamou os militares e policiais cubanos a participarem de esforços pela instauração de uma democracia pluripartidária no país, já que segundo ele a liberdade é mais importante que a estabilidade.

Pérez Roque disse que o discurso foi "um convite à violência" por parte de Bush. "Cuba rejeita categoricamente o estímulo da violência e a evocação do uso da força", afirmou em entrevista coletiva.

O discurso de Bush, segundo o ministro, reflete a frustração do seu plano por uma "mudança de regime" em Cuba, uma vez que o segundo mandato do presidente norte-americano está se encerrando sem que o comunismo tenha caído em Havana.

Pérez Roque pediu aos EUA que parem de interferir em assuntos internos cubanos e suspendam o embargo comercial e as restrições de viagens em vigor desde o começo da década de 1960.

Segundo ele, Bush não tem autoridade moral para exigir mudanças em Cuba depois do banho de sangue que promoveu no Iraque. "O senhor não é um libertador, sr. Bush. O senhor é um repressor brutal. Seu governo invadiu, massacrou e torturou em nome da liberdade", declarou.

O chanceler cubano culpou "a tirania de Bush" e não o povo norte-americano pela hostilidade de Washington em relação à ilha. "Está chegando o dia em que [os norte-americanos] ficarão livres dele."