April 15, 2008 / 11:49 AM / 9 years ago

Jobim nega corrida armamentista na América do Sul

4 Min, DE LEITURA

Por Frank Jack Daniel

CARACAS (Reuters) - A América do Sul tem o direito de fortalecer suas Forças Armadas, mas não está promovendo uma corrida armamentista, disse na segunda-feira o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que está na Venezuela para discutir a criação de um conselho regional de defesa.

Num momento em que os países aproveitam os preços elevados do petróleo, dos metais e dos produtos agrícolas para se armar, Jobim disse que a América do Sul precisa de poderio militar para conquistar influência no mundo.

"Não há corrida armamentista na América do Sul. É importante que os países tenham armas. A projeção do poder da América do Sul depende das suas forças dissuasivas de defesa", afirmou Jobim após encontro com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, um inimigo dos EUA que usa o dinheiro do petróleo para modernizar suas forças.

De forma equivalente, Brasil e Chile também aproveitam o faturamento das suas commodities agrícolas e minerais para investimentos bélicos, enquanto o Haiti e outros países pobres da América Central tem dificuldades até para adquirir alimentos e energia, cujos preços atingem recordes.

A Venezuela, que é membro da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), comprou recentemente jatos e rifles russos. O Brasil pretende adquirir um submarino nuclear para atualizar suas Forças Armadas, que são grandes, mas têm equipamentos obsoletos.

Alguns analistas temem que os maiores investimentos militares e as diferenças políticas entre Venezuela e Colômbia levem a uma corrida armamentista desestabilizadora na região.

O Brasil aspira a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU. Jobim propôs inicialmente a criação do conselho regional de defesa durante a crise protagonizada em março por Colômbia e Equador.

Jobim disse que a intenção não é dar capacidade operacional ao grupo, e sim a possibilidade de coordenar as políticas de defesa.

O gasto militar da Venezuela atingiu 1,92 bilhão de dólares em 2006, aumento de 67 por cento em relação a 2003, segundo a consultoria sueca Sipri.

Já os gastos militares brasileiros cresceram 13 por cento desde 2003, segundo a consultoria, atingindo 13,5 bilhões de dólares em 2006.

Finalmente a Colômbia, que recebe ajuda militar dos EUA na luta contra rebeldes marxistas e narcotraficantes, gasta mais com armas do que seus vizinhos em termos de proporção do PIB.

Jobim, que nesta semana vai a Guiana e Suriname, disse também que pretende visitar todos os demais países da região, da Argentina à Colômbia, para promover o conselho regional de defesa.

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