11 de Outubro de 2008 / às 21:23 / 9 anos atrás

Equador pede a Brasil que reveja posição no caso Odebrecht

QUITO, 11 de outubro (Reuters) - O presidente equatoriano Rafael Correa pediu ao Brasil, no sábado, que reveja sua decisão de cancelar uma missão comercial devido à disputa com a construtora brasileira Odebrecht, que provocou tensões entre os dois países aliados.

Esta semana, Correa rejeitou uma oferta feita pela Odebrecht para solucionar uma disputa contratual e reter 800 milhões de dólares em obras contratadas com o governo.

No mês passado, o presidente esquerdista confiscou as instalações da Odebrecht no país andino, em função de uma hidrelétrica danificada que o governo afirma ter sido mal construída.

"Espero que o governo brasileiro reveja sua decisão", disse Correa durante seu discurso semanal no rádio. "Respeitamos a decisão do Brasil, mas não a entendemos, já que o problema é entre o Equador, um país soberano, e uma empresa."

O Brasil cancelou uma missão marcada para a próxima semana para discutir auxílio brasileiro a projetos de infra-estrutura no Equador.

A disputa ressalta os desafios enfrentados pelo Brasil na busca da integração econômica regional em meio ao nacionalismo ressurgente e à postura intransigente de Correa até mesmo com os aliados do Equador.

O presidente equatoriano ameaçou nacionalizar os campos petrolíferos da brasileira Petrobras (PETR4.SA), que está em conversações para a revisão de seus contratos atuais, de modo a aumentar a parcela do Estado na receita dos campos.

Neste sábado, o governo equatoriano anunciou que vai renegociar contrato com a Agip, subsidiáia da italiana Eni.

Correa informou que rejeitou a oferta feita pela Odebrecht devido a irregularidades identificadas em seus contratos com o Estado.

Desde que assumiu o poder, no ano passado, Rafael Correa vem mantendo laços positivos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, num esforço para obter avanços nos setores energético e de infra-estrutura do Equador.

O presidente, que goza de grande popularidade em função de suas promessas de redistribuir as riquezas nacionais entre os pobres, vem pressionando empresas de petróleo e mineração a rever seus contratos, de modo a reforçar o controle do Estado sobre esses setores chaves.

Ele venceu um referendo em 28 de setembro para ampliar seus poderes sobre a economia e as principais instituições políticas.

Reportagem de Alonso Soto

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