Musharraf rejeita inquérito da ONU sobre Bhutto

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008 21:48 BRST
 

PARIS (Reuters) - O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, rejeitou a realização de um inquérito da ONU sobre o assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, como quer o partido dela, alegando que o Paquistão não deve ser comparado ao Líbano.

"Não é possível. Algum outro país está envolvido?", disse ele em entrevista publicada na quarta-feira no site do jornal francês Le Figaro. "O Paquistão não é o Líbano", disse ele.

O partido de Bhutto exige uma investigação da ONU semelhante àquela relativa ao assassinato, em 2005, do ex-premiê libanês Rafik Al Hariri, atribuída por muitos libaneses à Síria. Damasco nega envolvimento.

Musharraf disse que o Paquistão têm instituições capazes de fazer o inquérito sobre a morte de Bhutto, e lembrou que terá ajuda também da polícia britânica.

Ele disse que há uma campanha da Al Qaeda contra o Paquistão, mas negou que o país esteja prestes a se dissolver.

"Eles não têm capacidade de desestabilizar o país, mas seus ataques suicidas criam desordem e desanimam a população. Entretanto, o Paquistão não está à beira da desintegração."

Ele disse também que a economia paquistanesa sobreviveria caso os EUA decidissem cortar a ajuda financeira --como sugeriram alguns políticos para pressionar Islamabad a se empenhar mais na luta contra o terrorismo e restaurar as liberdades individuais.

"Vocês acham que o Paquistão iria morrer se não recebesse esse dinheiro? Nossa economia está indo bem", afirmou.

"Nos últimos seis anos, recebemos um total de cerca de 9 bilhões de dólares. Mais de metade para o combate ao terrorismo. Se os norte-americanos não querem mais pagar, eles devem pedir a outras pessoas que os ajudem. Mas a luta contra o terrorismo iria sofrer", disse Musharraf.

(Por Anna Willard)