24 de Fevereiro de 2008 / às 17:43 / 9 anos atrás

Novas sanções da ONU serão 'custosas' para Ocidente, diz Irã

Por Parisa Hafezi

TEERÃ (Reuters) - O Irã avisou as potências ocidentais no domingo que elas seriam as mais prejudicadas caso aprovem, via Organização das Nações Unidas (ONU), novas sanções contra o país islâmico.

O governo iraniano não conseguiu convencer as potências mundiais de que seu programa nuclear possui fins meramente pacíficos. A Grã-Bretanha e a França disseram ter esperanças de que o Conselho de Segurança da ONU vote nesta semana sobre uma terceira rodada de sanções.

"Algumas potências ocidentais estão optando pelo caminho errado e estão aprovando resoluções contra o Irã que serão custosas para elas", afirmou Javad Vaeedi, vice-chefe de negociações do Irã para o setor nuclear. As declarações de Vaeedi, que não deu maiores detalhes, foram divulgadas pela agência de notícias oficial do Irã, a Irna.

O Conselho de Segurança exige que o país suspenda seu programa de enriquecimento de urânio, a porção das atividades nucleares do Irã que mais preocupa as potências ocidentais.

O urânio enriquecido pode ser usado como combustível para usinas atômicas e, potencialmente, para a fabricação de bombas. O Irã recusa-se a cumprir a exigência.

O governo iraniano afirma estar buscando dominar a tecnologia nuclear a fim de fabricar combustível para uma rede de usinas nucleares que pretende construir. Agindo assim, o país conseguiria exportar uma parte maior de suas grandes reservas de petróleo e gás natural.

O Irã repetiu várias vezes que continuará com suas atividades nucleares.

"O Irã adotará as medidas que julgar necessárias para responder ao próximo passo do Ocidente", afirmou Vaeedi.

Depois de os EUA e outras potências terem dito que pressionariam pela adoção de novas sanções, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse no sábado que o Irã não seria prejudicado caso sofra outras medidas do tipo.

'PRETEXTO'

Segundo Vaeedi, o terceiro pacote de sanções discutido na ONU tinha "motivações políticas".

"A questão nuclear do Irã serve apenas como um pretexto. O Ocidente deseja afirmar ao Irã que o programa nuclear tem seus custos", disse Vaeedi.

O país já avisou muitas vezes que pode rever sua colaboração com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) caso seja pressionado demais.

Em seu último relatório, publicado na sexta-feira, a AIEA disse que o Irã havia respondido a várias perguntas e esclarecido vários assuntos levantados no contexto de um plano de trabalho de agosto.

Só não houve respostas satisfatórias a respeito de supostos estudos para o eventual uso de material nuclear na fabricação de armas.

Ahmadinejad e outras autoridades iranianas saudaram o relatório da AIEA, descrevendo-o como uma "vitória" para a nação iraniana.

A AIEA afirmou ter confrontado o Irã, pela primeira vez, com relatórios de serviços secretos do Ocidente a respeito de operações relacionadas com a fabricação de bombas atômicas, acrescentando que o governo iraniano não forneceu respostas satisfatórias.

Ali Hosseini, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, acusou os EUA de enviar informações falsas de forma excessivamente tardia, impossibilitando uma resposta.

No governo iraniano, dominado por clérigos muçulmanos, a palavra final sobre a política nuclear é dada pelo líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, que também já disse que o Irã não abandonará seu programa atômico.

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