4 de Dezembro de 2007 / às 12:35 / 10 anos atrás

Irã elogia relatório dos EUA; Londres pede mais pressão

Por Zahra Hosseinian

TEERÃ (Reuters) - O Irã comemorou nesta terça-feira um relatório de inteligência dos Estados Unidos que contradiz declarações do governo Bush de que a República Islâmica estaria desenvolvendo armas nucleares. Já Israel reagiu com ceticismo, e a Grã-Bretanha defendeu que seja mantida a pressão sobre Teerã.

A nova Estimativa Nacional de Inteligência norte-americana surpreendeu aliados e inimigos dos EUA ao dizer que o Irã suspendeu em 2003 seu programa de armas nucleares. Durante anos, Washington acusou Teerã, com retórica cada vez mais dura, de tentar desenvolver bombas atômicas.

Analistas dizem que o relatório pode dificultar a adoção de um terceiro pacote de sanções da ONU contra o Irã, como querem os EUA.

O governo iraniano se apressou em elogiar o relatório, divulgado na segunda-feira, tratando-o como prova definitiva daquilo que a República Islâmica diz há anos -- que seu programa nuclear é pacífico, voltado apenas para a geração de eletricidade com fins civis.

“É natural que saudemos quando esses países que no passado tinham dúvidas e ambiguidades sobre este caso agora emendam realisticamente suas opiniões”, disse o chanceler Manouchehr Mottaki a uma rádio local. “A condição das atividades nucleares pacíficas do Irã está ficando clara para o mundo.”

Mas a Grã-Bretanha, que costuma seguir a posição dos EUA nessa questão, disse que vai continuar pressionando por mais escrutínio internacional.

“Achamos que as conclusões do relatório justificam as ações já tomadas pela comunidade internacional tanto para mostrar a extensão e tentar restringir o programa nuclear do Irã quanto para aumentar a pressão sobre o regime para parar suas atividades de enriquecimento e reprocessamento (de urânio)”, disse um porta-voz do primeiro-ministro Gordon Brown.

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que a campanha internacional contra o programa nuclear iraniano deve ser mantida.

“É vital manter os esforços para evitar que o Irã desenvolva uma capacidade como esta (de ter armas), e vamos continuar fazendo assim junto com nossos amigos dos Estados Unidos”, afirmou ele a jornalistas.

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, disse à Rádio do Exército que, até onde Israel sabe, o Irã provavelmente retomou seu programa de armas depois de 2003.

As potências mundiais se reuniram no sábado passado em Paris para discutir uma nova rodada de sanções contra o Irã devido à sua recusa em suspender o enriquecimento de urânio, processo que pode gerar combustível para usinas nucleares ou, com grau maior de purificação, material para bombas nucleares.

A ONU já impôs dois pacotes de sanções contra o programa nuclear iraniano.

Em Viena, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) disse que no novo relatório dos EUA corrobora as conclusões dos inspetores da agência nos últimos anos a respeito do Irã.

Reportagem adicional da redação em Viena, Jerusalém, Berlim, Pequim e Londres

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