ONU diz que 31 morreram na repressão em Mianmar

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007 19:30 BRST
 

Por Jason Szep

BOSTON (Reuters) - A repressão do regime militar às manifestações pró-democracia de setembro em Mianmar mataram 31 pessoas, o triplo da contagem oficial, segundo um relatório divulgado na sexta-feira pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, relator oficial da ONU para questões de direitos humanos.

De acordo com ele, cerca de 4.000 pessoas foram detidas, das quais aproximadamente mil permanecem presas.

O relatório de 77 páginas, a ser apresentado na terça-feira que vem ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, diz que o regime militar usou "força excessiva" e violou "as regras fundamentais do direito internacional".

Pinheiro esteve em Mianmar entre os dias 11 e 15 de novembro, o que resultou num dos relatos mais completos até agora sobre a repressão às manifestações, as maiores no país desde 1988, lideradas por monges budistas.

De acordo com a imprensa oficial birmanesa, o governo admitiu apenas dez mortes. Depois, Pinheiro afirmou ter ouvido das autoridades que 15 pessoas haviam morrido, e ele próprio descobriu provas de que outras 16 pessoas haviam sido assassinadas.

O relatório, ao qual a Reuters teve acesso, cita ao menos 74 casos em que o governo desconhece ou não informa o paradeiro de pessoas.

Pinheiro escreveu que a polícia usou armas de fogo, balas de borracha, gás lacrimogêneo, granadas de fumaça, pedaços de pau, cassetetes e até estilingues contra os manifestantes.

Contrariando a versão oficial de que 2.927 pessoas foram detidas, Pinheiro afirmou que houve 4.000 detenções, sendo que entre 500 e 1.000 pessoas continuavam detidas quando da redação do texto. Entre os presos, disse o brasileiro, havia 106 mulheres, inclusive seis monjas.

Pinheiro descreveu enormes centros informais de detenção e disse haver relatos críveis de uma área especial para punições, as "celas dos cães dos militares", na famosa prisão de Insein, em Yangon.

Trata-se de um conjunto de nove pequenas celas de quatro metros quadrados, guardadas constantemente por 30 cães. Seus presos, segundo o relatório, são mantidos em condições degradantes, sem ventilação ou banheiro, dormindo em colchões finos e autorizados a tomar banho, com água fria, apenas uma vez a cada três dias, durante cinco minutos.